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Governo reajusta Bolsa Família a menos de 20 dias do primeiro turno; economistas fazem críticas

Especialistas avaliam que aumento de R$ 22 bilhões no programa mantém distorções na distribuição dos benefícios e amplia pressão sobre as contas públicas.
Por: Redação
18 de setembro de 2026 - 12:51 PM

O governo federal anunciou um reajuste no Bolsa Família a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições. A medida, que destina cerca de R$ 22 bilhões para elevar o valor base do benefício, foi recebida com críticas de economistas, que questionam tanto o momento do anúncio quanto a forma como os recursos serão distribuídos.

Segundo especialistas ouvidos pela CNN Brasil, o reajuste poderia ter maior impacto no combate à pobreza caso fosse concentrado nos benefícios voltados às famílias com crianças e adolescentes, como o Benefício Primeira Infância (BPI) e o Benefício Variável Familiar, em vez de ampliar o benefício básico para todos os beneficiários.

Para o professor de economia do Insper, Sergio Firpo, a pobreza no Brasil está concentrada principalmente na infância. Na avaliação dele, manter o benefício base em R$ 600 e direcionar o reajuste aos benefícios destinados às crianças tornaria o programa mais eficiente.

O pesquisador associado do FGV Ibre, Daniel Duque, também afirma que o aumento do benefício básico favorece proporcionalmente famílias menores. Segundo ele, embora o Benefício Primeira Infância tenha sido reajustado, o ganho por pessoa continua sendo maior para quem recebe apenas o benefício básico.

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Governo afirma que reajuste recompõe perdas da inflação
De acordo com o governo federal, o reajuste segue a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e tem como objetivo preservar o poder de compra das famílias em situação de vulnerabilidade.

Em nota, a Advocacia Geral da União (AGU) informou que o decreto não cria um novo benefício nem altera as regras de acesso ao Bolsa Família, mas apenas atualiza os valores para evitar perdas provocadas pela inflação.

Momento do anúncio também gera questionamentos
Além das críticas sobre a distribuição dos recursos, economistas destacam o momento em que o reajuste foi anunciado.

A medida foi divulgada a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições e após o envio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 ao Congresso Nacional, que ainda previa o benefício básico em R$ 600. O Ministério da Fazenda informou que a proposta orçamentária será ajustada para incorporar o novo valor.

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Especialistas também avaliam que o aumento das despesas amplia os desafios para o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos. Segundo Gabriel Barros, economista chefe da ARX Investimentos, a medida aumenta a rigidez do orçamento e torna mais complexo o ajuste fiscal esperado para 2027.

Enquanto o governo sustenta que o reajuste busca preservar a renda das famílias beneficiárias, economistas divergem sobre a estratégia adotada e os impactos fiscais da decisão.