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Data center de IA na Amazônia vira alvo de investigação por possível impacto ambiental

Ministério Público do Pará apura riscos de ilhas de calor e ausência de consultas públicas para instalação do primeiro data center de inteligência artificial da região
Por: Redação
10 de agosto de 2026 - 9:04 AM

O primeiro data center de inteligência artificial da Amazônia, que será instalado em Belém (PA), tornou-se alvo de um inquérito do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). A investigação busca apurar possíveis impactos ambientais do empreendimento, entre eles a formação de ilhas de calor, além da falta de consultas públicas com comunidades ribeirinhas e moradores das áreas próximas ao projeto.

Batizado de BEL1, o empreendimento prevê investimento de R$ 250 milhões e tem início de operação previsto para 2027. A capacidade inicial será de 7,5 megawatts (MW), suficiente para abastecer aproximadamente 22,5 mil residências.

Investigação aponta ausência de regulamentação específica
Segundo o Ministério Público, o Brasil ainda não possui normas ambientais específicas para a implantação de data centers desse porte. O órgão também informou que as secretarias ambientais do Estado do Pará e do município de Belém afirmaram não ter recebido pedidos de licenciamento relacionados ao projeto.

Outro ponto investigado é a ausência de consultas públicas com comunidades potencialmente afetadas pela instalação da estrutura, incluindo moradores de bairros vizinhos e populações ribeirinhas.

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Esses fatores motivaram a abertura do inquérito para avaliar a regularidade do empreendimento e seus possíveis impactos socioambientais.

Estudo alerta para aumento da temperatura
A preocupação do Ministério Público é reforçada por um estudo da Universidade de Cambridge, citado na investigação, que aponta que grandes data centers podem contribuir para o aumento da temperatura da superfície em determinadas regiões devido à dissipação de calor gerada pelos equipamentos.

Na Amazônia, onde as temperaturas e a sensação térmica já são elevadas durante boa parte do ano, especialistas avaliam que esse calor adicional pode favorecer a formação das chamadas ilhas de calor, fenômeno caracterizado pelo aumento da temperatura em áreas urbanizadas.

Empresa afirma que utilizará sistema de refrigeração a ar
Responsável pelo projeto, a Elea Data Centers informou que o BEL1 utilizará sistemas de refrigeração por ar condicionado para resfriar os equipamentos, sem uso de água.

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A empresa também afirmou que estudos mais aprofundados sobre impacto térmico deverão ser realizados apenas em uma futura expansão da unidade para 100 MW, etapa que ainda não possui cronograma definido.

A investigação do Ministério Público segue em andamento.

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