Em uma região onde os rios determinam caminhos e as longas distâncias dificultam o acesso a serviços essenciais, 22 missionários e voluntários da Missão Hineni se preparam para uma jornada de fé e solidariedade no arquipélago do Marajó. Formada por integrantes de diferentes igrejas da região de Campinas, a equipe visitará escolas e famílias ribeirinhas de Afuá e Melgaço.
A programação inclui evangelização, entrega de cestas básicas e atividades educativas além de palestras como cuidados com o corpo e conscientização da preservação dos direitos das crianças e adolescentes, principalmente sobre o tema sexualidade.
Os missionários são formados por dois grupos: a “Geração da Força”, formada pelos mais jovens, e a “Geração da Experiência”, composta pelos mais velhos. A proposta é unir disposição, dinamismo, conhecimento e maturidade em uma atuação conjunta.
A Missão Hineni é liderada pela pastora Luciana Oliveira Ramos, presidente da associação de mesmo nome que coordena o movimento. Segundo a pastora o nome Hineni está relacionado à expressão bíblica “Eis-me aqui”, que representa disponibilidade para servir e atender ao chamado de Deus.
Jovens voluntários levam expectativa e compromisso à missão
Entre os participantes estão Aline Rodrigues, de 24 anos, e Nikole Araújo, de 21, ambas de Campinas e integrantes da Igreja Batista Nova Geração. As jovens decidiram dedicar tempo, recursos e disposição para atuar em comunidades ribeirinhas da região amazônica.
Nikole conta que o desejo de participar surgiu durante um culto em sua igreja, quando a pastora Luciana apresentou registros de uma viagem anterior.
“Foi neste culto que, pela primeira vez, despertou em mim o desejo de ir. Desde então, tenho esperado pela oportunidade certa para estar lá”, relatou Nikole.
Aline por sua vez conta que a preparação envolve desafios financeiros, já que cada missionário é responsável pelo seu custo.
“Estou me sentindo muito animada e com muitas expectativas para viver essa experiência”, completou.
Uma realidade marcada pelas distâncias
Afuá e Melgaço possuem grande parte da população vivendo em áreas rurais e ribeirinhas. Em Afuá, levantamento atribuído ao Ministério dos Direitos Humanos aponta que aproximadamente 73% dos moradores estão na zona rural. O atendimento depende de embarcações como rabetas e voadeiras, e algumas comunidades recebem determinados serviços públicos apenas uma vez por mês.
O diagnóstico também identificou dificuldades relacionadas à quantidade de profissionais de saúde, ao atendimento pediátrico e ao deslocamento de equipes. Cerca de 97% das escolas do município estavam localizadas na área rural.
Em Melgaço, aproximadamente 78% da população vive no interior. Algumas comunidades ficam a até 12 horas de barco da sede municipal. Distância, custo de transporte, falta de especialistas, materiais e medicamentos estão entre os desafios apontados no levantamento governamental, que também registrou limitações no saneamento e no acesso às redes de saúde, assistência social e proteção.
Proteção de crianças e adolescentes
As atividades de conscientização previstas pela missão estão relacionadas às vulnerabilidades identificadas na região. Diagnósticos governamentais de Afuá e Melgaço apontam a violência sexual entre as violações mais recorrentes contra crianças e adolescentes, especialmente nas comunidades rurais, onde a distância dificulta denúncias, acompanhamento e atendimento especializado.
Em março de 2026, UNICEF, Ministério dos Direitos Humanos e organizações parceiras reuniram representantes dos municípios do Marajó para fortalecer a prevenção, os protocolos de atendimento e a integração das redes de proteção. A orientação foi ampliar o trabalho educativo nas escolas e alcançar também as comunidades mais remotas.
Fé que se transforma em serviço
Conforme informações da organização, a Missão Hineni realiza várias expedições ao longo do ano, inclusive no mês de Dezembro no Natal. Além da entrega de alimentos, os voluntários procuram ouvir as famílias, compreender a realidade de cada comunidade e desenvolver atividades adequadas às necessidades locais.
Evangelização, acolhimento, orientação e prevenção fazem parte da programação. A proposta é construir vínculos e mostrar às famílias ribeirinhas que elas não estão esquecidas.
Como contribuir
As pessoas interessadas em apoiar as ações da Missão Hineni podem contribuir com qualquer valor por meio da chave Pix.
Razão Social: Missão Hineni
Pix/CNPJ: 68.649.776/0001-70



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