Um terreno que antes acumulava lixo e entulho no bairro Mário Dedini, em Piracicaba, foi transformado em uma área de produção de alimentos e capacitação profissional. A Horta para Cooperados, inaugurada na quinta-feira, 29 de outubro, reúne aproximadamente 40 participantes, a maioria mulheres, e tem como objetivo ampliar as oportunidades de trabalho e geração de renda para famílias em situação de vulnerabilidade social.
O projeto ocupa uma área de 13.500 metros quadrados e integra o Programa Inclusão Produtiva, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Assistência, Desenvolvimento Social e Família.
A primeira etapa de cultivo já produziu 150 caixas de alface, com comercialização garantida para uma empresa responsável pelo preparo de refeições.
Segundo a Prefeitura, o valor obtido com a venda será utilizado para cobrir os custos de produção, enquanto o lucro será dividido entre os cooperados.
Projeto atende pessoas em situação de vulnerabilidade social
A iniciativa reúne participantes encaminhados principalmente pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas).
Muitos integrantes do grupo são mulheres responsáveis pelo sustento de suas famílias, incluindo mães que criam os filhos sem a participação cotidiana de outro responsável.
Antes do início do cultivo, os participantes passaram por capacitação e acompanharam diferentes etapas da implantação da horta.
O trabalho envolveu o preparo do solo, a instalação do sistema de irrigação, o plantio das mudas e, posteriormente, a colheita.
Além da atividade agrícola, o programa busca desenvolver conhecimentos relacionados à organização do trabalho, à cooperação e à administração dos recursos obtidos com a produção.
Participante encontrou apoio ao descobrir gravidez
Entre as pessoas que integram a cooperativa está Edijane Silva, de 31 anos, que viu no projeto uma possibilidade de ampliar a renda familiar.
Ela já participava das atividades quando descobriu que estava grávida do terceiro filho.
Preocupada com a possibilidade de não conseguir realizar algumas tarefas, procurou a Secretaria de Assistência Social para comunicar sua intenção de deixar a horta.
Segundo o relato divulgado pela Prefeitura, Edijane recebeu apoio do grupo para continuar participando da iniciativa, com adaptação das atividades às suas condições.
“Participar deste projeto mudou minha vida”, afirmou.
A experiência mostra como a organização coletiva do trabalho pode permitir que participantes permaneçam nas atividades mesmo diante de mudanças em suas circunstâncias pessoais.
Primeira colheita já tem destino definido
Na etapa inicial, a horta produziu 150 caixas de alface, que foram adquiridas por uma empresa responsável pela preparação de refeições distribuídas em diferentes locais.
As primeiras 30 mil mudas utilizadas no projeto foram doadas pela Coplacana.
De acordo com a Prefeitura, a receita obtida com a venda será destinada inicialmente à cobertura das despesas de produção.
O resultado financeiro restante será dividido entre os integrantes da cooperativa.
O comunicado não informa o valor pago pelas caixas de alface, o custo total da produção ou quanto cada participante receberá com a primeira comercialização.
Projeto prevê produção de até 20 toneladas de hortaliças
A horta ainda está em fase de implantação de sua capacidade produtiva.
Segundo o técnico em agricultura Rodrigo Lara, quando toda a área estiver preparada para o cultivo, a estimativa é produzir 20 toneladas de hortaliças folhosas.
Entre os alimentos previstos estão:
Alface;
Chicória;
Salsinha;
Cebolinha.
A quantidade anunciada é uma projeção para a área totalmente implantada, e não o volume já produzido.
O comunicado municipal também não informa o período de referência dessa estimativa de 20 toneladas.
Participantes destacam aprendizado e possibilidade de renda
A moradora do Jardim Gilda Amanda do Carmo Gomes, de 30 anos, acompanha o projeto desde suas primeiras etapas.
Para ela, participar da transformação do terreno em uma área produtiva tem sido uma experiência significativa.
“É satisfatório ver essa transformação”, afirmou.
Maria Laura Silva, de 25 anos, moradora do Bosques do Lenheiro, também participou da implantação da horta.
“Foi surpreendente participar de todo o processo”, relatou.
Outro integrante é Fábio Clemente, de 44 anos, que destacou a possibilidade de conciliar o trabalho com os cuidados da filha de nove anos.
Segundo ele, a renda obtida por meio da atividade contribui para o pagamento de despesas familiares, incluindo aluguel e cuidados com a criança.
“Aprendo diariamente e está sendo muito bom para mim”, contou.
Sonho de moradora ajudou a inspirar transformação do terreno
A criação da horta também está ligada à história de Iracilda Silva, de 70 anos, moradora do Jardim Gilda.
Ela desejava ver uma horta implantada no terreno localizado próximo ao Cras da região.
Antes da iniciativa municipal, chegou a utilizar recursos próprios para retirar parte do lixo e dos entulhos acumulados na área.
Com a implantação do projeto, o espaço passou a receber canteiros e atividades de cultivo.
“Fico muito feliz em ver um terreno que era nada transformado nesta horta”, afirmou Iracilda.
A história da moradora foi destacada durante a inauguração, que contou com a presença de representantes da administração municipal e dos participantes da cooperativa.
Prefeitura prevê expansão para outras regiões de Piracicaba
Durante a inauguração, o prefeito Helinho Zanatta afirmou que o projeto busca oferecer oportunidades de trabalho e renda a pessoas que enfrentam dificuldades sociais e econômicas.
A presidente do Fundo Social de Solidariedade, Valkiria Callovi, destacou a importância dos conhecimentos adquiridos pelos participantes, incluindo noções de gestão financeira e organização do trabalho.
Segundo ela, o aprendizado poderá ser utilizado também em outras situações da vida profissional e pessoal.
A Prefeitura informou que o planejamento municipal prevê a implantação de 20 hortas em diferentes regiões de Piracicaba.
A proposta contempla:
Quatro macrohortas, em áreas de maior dimensão;
16 hortas menores, distribuídas por diferentes regiões.
Além do Mário Dedini, estão previstas iniciativas nas regiões do Taquaral e do Jupiá.
O comunicado não apresenta o cronograma de implantação das demais unidades, os valores de investimento ou a quantidade de vagas que cada horta deverá oferecer.
Inclusão produtiva e aproveitamento de áreas urbanas
A Horta para Cooperados reúne duas frentes de atuação: o aproveitamento de uma área antes utilizada para descarte de resíduos e a oferta de atividades produtivas para pessoas atendidas pela rede de assistência social.
A primeira colheita e a existência de um comprador representam uma etapa inicial de comercialização dos alimentos produzidos.
Os resultados financeiros de longo prazo, porém, dependerão da continuidade da produção, das condições de comercialização e dos custos de funcionamento.
A expansão anunciada poderá levar o modelo a outros bairros, caso as unidades previstas sejam efetivamente implantadas.





