O colapso de uma geleira provocou as enchentes que atingiram áreas do Nepal e da China nesta quarta feira (26). O desastre deixou mais de 1.300 pessoas desaparecidas nos dois lados da fronteira, conforme os números divulgados até esta quinta feira (27).
A dimensão do desprendimento de gelo foi tão grande que o evento chegou a ser inicialmente registrado como um terremoto de magnitude 4,4 pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Após analisar dados de estações sísmicas, ondas de longo período e imagens de satélite, a agência concluiu que não houve terremoto. O sinal detectado foi provocado pelo colapso da geleira e pelo consequente fluxo de detritos, que atingiu áreas localizadas abaixo da montanha.
Mais de 1.300 desaparecidos
No Nepal, autoridades contabilizam 826 desaparecidos. Um levantamento anterior apontava que pelo menos 300 deles eram estrangeiros, mas ainda não havia atualização sobre a quantidade de pessoas de outros países entre os desaparecidos.
Na China, pelo menos 558 pessoas estavam desaparecidas. Somados, os registros dos dois países chegam a 1.384.
O número ainda pode sofrer alterações. As áreas atingidas ficam em regiões remotas do Himalaia e os danos às redes de comunicação dificultam o contato com moradores e turistas. Por isso, algumas pessoas inicialmente consideradas desaparecidas podem estar sem condições de se comunicar.
Recuo das geleiras preocupa
O desastre também chama atenção para o recuo das geleiras na região do Himalaia. Geleiras do Nepal estão recuando a uma velocidade de até 15 metros por ano.
Esse processo pode contribuir para a instabilidade das encostas e para a formação de corpos de água vulneráveis a rupturas, aumentando o risco de enchentes graves em regiões montanhosas.
As autoridades continuam os trabalhos para dimensionar os impactos do desastre e localizar os desaparecidos.





