A paixão pelos videogames deixou de representar apenas uma forma de entretenimento e passou a abrir caminhos para a formação profissional. Essa transformação é um dos destaques da 17ª Brasil Game Show (BGS 2026), realizada de 9 a 12 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Entre os visitantes estão jovens de Piracicaba que enxergam nos jogos eletrônicos a possibilidade de construir uma carreira na área de tecnologia.
A reportagem do Via Piracicaba acompanhou atrações da feira e conversou com visitantes, representantes da organização e profissionais ligados à formação de novos talentos para o mercado de desenvolvimento de games.
Além de apresentar lançamentos e experiências interativas, a BGS reúne instituições de ensino, fabricantes, desenvolvedores, equipes de esportes eletrônicos e profissionais de diferentes setores da indústria.
Segundo a organização, a expectativa para 2026 é superar os 306.798 visitantes registrados na edição anterior.
Irmãos de Piracicaba querem trabalhar com desenvolvimento de jogos
Entre os visitantes encontrados pela reportagem estavam os irmãos Júnior, de 20 anos, e Kauê, de 18, moradores de Piracicaba.
Apaixonados por videogames, os dois viajaram até a capital paulista não apenas para conhecer as atrações, mas também para buscar informações sobre o mercado de trabalho e se aproximar de profissionais da indústria.
Os irmãos pretendem seguir carreira na programação de jogos eletrônicos, área responsável por desenvolver sistemas, movimentos, regras, interações e outras funcionalidades que tornam possível a experiência de jogar.
Júnior participa da BGS pela segunda vez e vê no evento uma oportunidade de ampliar contatos, conhecer profissionais do setor e acompanhar de perto personalidades ligadas ao universo dos games.
A experiência dos dois jovens mostra como o interesse pelos videogames pode despertar o desejo de estudar programação e outras áreas relacionadas à tecnologia.
Criar um jogo envolve conhecimentos de lógica, matemática, desenvolvimento de software, design e criatividade. Dependendo do projeto, também exige o trabalho conjunto de roteiristas, músicos, animadores, artistas digitais e especialistas em diferentes linguagens tecnológicas.
Senac apresenta jogos desenvolvidos por estudantes
Um dos espaços visitados pela reportagem foi o estande do Senac São Paulo, que participa da BGS 2026 com jogos criados por seus próprios alunos.
Os visitantes podem experimentar os projetos e conhecer parte do processo de desenvolvimento realizado durante as atividades de aprendizagem.
A criação de um game envolve diferentes etapas, desde a elaboração da ideia inicial até a programação, construção dos cenários, desenvolvimento dos personagens, produção dos sons e testes de funcionamento.
Ao apresentar os trabalhos na feira, os estudantes têm a oportunidade de mostrar suas criações fora da sala de aula e receber opiniões de pessoas interessadas em jogos digitais.
A iniciativa também ajuda a demonstrar que o desenvolvimento de games pode ser uma possibilidade de atuação profissional para quem deseja ingressar no mercado de tecnologia.
Professora destaca importância da formação profissional
Durante a cobertura, a equipe do Via Piracicaba também conversou com a professora Larissa Teixeira Araújo, que abordou o desempenho dos estudantes e as possibilidades de carreira na indústria dos jogos eletrônicos.
A educadora destacou a importância da formação técnica para quem pretende atuar em um setor que reúne programação, criatividade e desenvolvimento de soluções digitais.
O contato com eventos especializados permite que os alunos apresentem projetos, conheçam novas tecnologias e compreendam melhor as exigências do mercado.
Essa experiência também amplia a aproximação entre instituições de ensino e empresas que trabalham diretamente com inovação e desenvolvimento tecnológico.
Organização vê espaço para novos profissionais
Em entrevista ao Via Piracicaba, Fernando Pinto Tavares, apresentado à reportagem como gerente geral da Brasil Game Show, falou sobre as oportunidades que o setor oferece às novas gerações.
Entre os assuntos abordados estão a presença de iniciativas educacionais e a aproximação entre estudantes, instituições de ensino e empresas participantes da feira.
A indústria dos jogos eletrônicos reúne profissionais de diferentes especialidades.
Além dos programadores, há oportunidades relacionadas a design, animação, comunicação, produção audiovisual, marketing, sonorização e gestão de projetos.
Conhecer essa diversidade de funções pode ajudar jovens interessados em trabalhar com games a identificar cursos e possibilidades de formação.
BGS reúne público de diferentes regiões do Brasil
A Brasil Game Show começou em 2009, no Rio de Janeiro, com o nome Rio Game Show.
A primeira edição reuniu aproximadamente 4 mil visitantes.
Com o crescimento do evento, a feira passou a receber empresas internacionais, desenvolvedores de jogos e um público cada vez maior.
Em 2012, a BGS mudou para São Paulo, onde consolidou sua programação voltada ao entretenimento, à tecnologia e aos negócios.
Segundo dados divulgados pela organização, mais de 3,4 milhões de visitantes participaram das primeiras 16 edições.
Em 2025, o evento recebeu 306.798 pessoas. Para este ano, a organização trabalha com a expectativa de superar esse público.
Competições de games movimentam a feira
Os esportes eletrônicos, conhecidos como eSports, também têm destaque na programação da BGS 2026.
As competições reúnem jogadores que disputam partidas individuais ou em equipes, utilizando estratégia, reflexos e habilidades desenvolvidas por meio de treinamento.
Entre as organizações presentes está a Team Liquid, equipe internacional de esportes eletrônicos.
Seu espaço oferece experiências ligadas a jogos como VALORANT, Fortnite e EA SPORTS FC 27, além de desafios para visitantes e atividades com atletas e criadores de conteúdo.
As atrações permitem que o público conheça mais de perto o ambiente das competições profissionais e experimente jogos utilizados no cenário competitivo.
Cosplay reúne criatividade e personagens conhecidos
Outra tradição da Brasil Game Show é a presença de participantes caracterizados como personagens de videogames, filmes, séries e histórias em quadrinhos.
A prática, conhecida como cosplay, envolve a produção de figurinos, acessórios e interpretações inspiradas em personagens da cultura pop.
Durante a cobertura, o Via Piracicaba encontrou Wellington Moura, morador da região do ABC Paulista, caracterizado como um personagem de Power Rangers Resgate.
Segundo Wellington, a ligação com o personagem começou na infância.
A caracterização representa uma maneira de manter viva essa relação afetiva e compartilhar a experiência com outros fãs.
Além da circulação dos cosplayers pelos corredores, a BGS promove apresentações e concursos dedicados a essa manifestação cultural.
Orquestra leva trilhas de videogames ao palco
A música também integra a programação da edição de 2026.
Entre as atrações está a Video Game Orchestra, projeto comandado pelo compositor e produtor Shota Nakama.
O espetáculo apresenta arranjos inspirados em trilhas sonoras de videogames, aproximando o universo dos jogos da música instrumental.
As apresentações estão previstas para os dias 10, 11 e 12 de outubro.
A atração destaca o papel da música na construção das experiências oferecidas pelos jogos, especialmente em momentos de ação, suspense e emoção.
Público pode experimentar jogos antes do lançamento
A BGS 2026 também reúne fabricantes, empresas internacionais e desenvolvedores independentes.
Entre as marcas presentes estão Nintendo e Sega, além de fabricantes de equipamentos e organizações ligadas aos esportes eletrônicos.
Uma das experiências oferecidas ao público é a possibilidade de testar jogos antes de seus lançamentos comerciais.
Segundo levantamento divulgado pela imprensa especializada, a edição conta com 19 títulos disponíveis para testes antecipados.
Essas demonstrações permitem conhecer recursos, personagens e sistemas de jogabilidade que ainda não chegaram ao mercado.
Para as empresas, a apresentação dos jogos representa uma oportunidade de divulgar novidades e observar a recepção do público.
Os desenvolvedores independentes também encontram espaço para mostrar produções realizadas por equipes menores, ampliando a visibilidade de seus projetos.
Games podem abrir caminhos profissionais para jovens do interior
A presença de visitantes de Piracicaba na Brasil Game Show mostra que o interesse pela indústria dos jogos eletrônicos também faz parte da realidade de jovens do interior paulista.
Para quem deseja trabalhar com programação, animação, design ou desenvolvimento de games, eventos como a BGS permitem conhecer projetos, conversar com profissionais e observar novas tecnologias.
As habilidades utilizadas na produção de jogos também podem ser aplicadas em outras áreas da economia digital, como inteligência artificial, modelagem tridimensional, criação de interfaces e desenvolvimento de softwares.
A experiência dos irmãos Júnior e Kauê representa esse interesse por transformar uma atividade de lazer em uma possível profissão.
Enquanto empresas apresentam novidades e visitantes participam das atrações, estudantes encontram oportunidades de conhecer o trabalho de quem desenvolve as experiências digitais que chegam às telas de milhões de jogadores.










