A segurança pública está no centro da disputa pelo Governo de São Paulo nas eleições de 2026. Os planos apresentados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo ex ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) incluem aumento do efetivo policial, uso de inteligência artificial, integração entre forças de segurança e medidas de enfrentamento ao crime organizado.
O tema aparece entre as principais preocupações da população paulista. Pesquisa Datafolha citada pela Exame aponta que segurança e saúde são consideradas os principais problemas do estado, ambas mencionadas por 27% dos entrevistados.
Apesar de apresentarem pontos em comum, como o uso de tecnologia e o fortalecimento da inteligência policial, Tarcísio e Haddad propõem caminhos diferentes para a segurança pública paulista.
Tarcísio propõe mais policiais e centro de inteligência
Entre as principais propostas de Tarcísio está a criação do Centro de Inteligência e Inovação, o SP CIN, que teria a função de integrar forças de segurança e utilizar recursos tecnológicos para acompanhar ocorrências em tempo real.
O plano também prevê ampliação do efetivo policial. Segundo o documento, há previsão de contratação de 16,2 mil novos policiais, dentro de um total de 30,5 mil contratações autorizadas.
Outra proposta é ampliar a integração de câmeras públicas e particulares para monitorar regiões com maior incidência de roubos, furtos e outros crimes. O programa Muralha Paulista também aparece entre as iniciativas que deverão ser fortalecidas.
No enfrentamento ao crime organizado, a estratégia prevê ampliar investigações patrimoniais e financeiras para atingir os recursos utilizados pelas organizações criminosas. Bens e valores apreendidos seriam destinados a investimentos na própria segurança pública.
O programa ainda contempla ações voltadas ao sistema penitenciário, crimes digitais e segurança nas áreas rurais.
Haddad aposta em IA e Agência Estadual Antifacção
O programa de Fernando Haddad para a área recebeu o nome de SP Protege e apresenta como um de seus principais eixos a proposta de “Impunidade Zero”.
O plano prevê integrar polícias e guardas municipais e utilizar inteligência artificial para cruzar registros de ocorrências e chamadas feitas ao 190. A tecnologia seria empregada na elaboração de mapas de calor, permitindo direcionar o policiamento para regiões e horários de maior incidência de crimes.
Para enfrentar organizações criminosas, Haddad propõe a criação de uma Agência Estadual Antifacção, com participação das forças policiais e articulação entre órgãos estaduais e federais.
O programa também prevê valorização dos profissionais da segurança, uso de câmeras corporais com gravação contínua, medidas contra roubos e furtos de celulares e ações de combate a golpes e crimes virtuais.
Violência contra mulheres também aparece nos planos
As propostas também abordam a proteção de mulheres vítimas de violência.
No plano de Haddad, uma das medidas é manter Delegacias de Defesa da Mulher funcionando 24 horas em regiões com maiores índices de violência, além da adesão ao programa federal Alerta Mulher Segura.
O tema ganha relevância diante dos registros no estado. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo citados pela Exame, 141 feminicídios foram registrados no primeiro semestre de 2026.
Segurança rural e integração podem chegar ao interior
Parte das propostas apresentadas pelos candidatos também tem relação direta com demandas de municípios do interior paulista.
Em cidades como Piracicaba, medidas envolvendo segurança rural, integração entre Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Civil Municipal, ampliação do videomonitoramento e enfrentamento aos crimes digitais podem ter impacto na estrutura local de segurança.
Com o avanço da campanha eleitoral, a segurança pública deve permanecer entre os principais temas do debate pelo Governo de São Paulo, principalmente diante da preocupação dos eleitores com criminalidade, violência e atuação das organizações criminosas.





