O mercado brasileiro de tecnologia segue com alta demanda por profissionais qualificados e enfrenta um descompasso entre a quantidade de trabalhadores procurados pelas empresas e a oferta de mão de obra disponível.
Dados reunidos em levantamento do setor mostram que, entre 2019 e 2024, o mercado demandou cerca de 665 mil profissionais de tecnologia, enquanto a oferta ficou em aproximadamente 465 mil trabalhadores, uma diferença de 30,2%. O cenário também aparece em relatório da Brasscom, entidade que representa empresas de tecnologia e comunicação.
Esse déficit ajuda a explicar a valorização de determinadas carreiras, especialmente em funções de liderança, segurança da informação, dados e inteligência artificial.
Desenvolvimento de software lidera oportunidades
Entre as áreas com maior volume de vagas, o desenvolvimento de software aparece na primeira posição, com 35,7% das oportunidades analisadas em um levantamento sobre anúncios de emprego.
Na sequência estão infraestrutura e suporte, com 23,2%, e dados e inteligência artificial, com 17,7%.
Somadas, as áreas de desenvolvimento de software e infraestrutura concentram quase seis em cada dez vagas avaliadas.
A distribuição das oportunidades ficou assim:
Desenvolvimento de software: 35,7%
Infraestrutura e suporte: 23,2%
Dados e inteligência artificial: 17,7%
Projetos e gerenciamento: 12,9%
Testes e controle de qualidade: 5,7%
Segurança da informação: 2,5%
Automação de processos e sistemas: 2,3%
Os números mostram que o setor não se resume à programação. Empresas também buscam profissionais capazes de administrar ambientes tecnológicos, proteger dados, implantar automações e trabalhar com inteligência artificial.
Salários podem superar R$ 50 mil
As maiores remunerações aparecem principalmente em cargos de liderança e alta especialização.
Entre os postos mais valorizados está o Chief Technology Officer (CTO), executivo responsável pela estratégia tecnológica de uma organização, com remuneração que pode chegar a R$ 53,6 mil mensais.
O Chief Security Officer (CSO), responsável pela estratégia de segurança, pode alcançar R$ 52,5 mil, enquanto o Chief Information Officer (CIO) pode receber até R$ 49,5 mil.
Entre as demais funções apontadas estão:
Gerente de Dados: até R$ 37,9 mil
Gerente de Segurança da Informação: até R$ 37,2 mil
Gerente de TI Generalista: até R$ 35 mil
Especialista em IA e Machine Learning: até R$ 32,5 mil
Gerente de BI: até R$ 29,4 mil
Gerente de Infraestrutura: até R$ 27,9 mil
Engenheiro de Inteligência Artificial: até R$ 27,1 mil
Os valores representam faixas máximas para determinadas posições e não significam que todos os profissionais dessas áreas recebam essas remunerações. Experiência, porte da empresa, região, nível de especialização e modelo de contratação influenciam diretamente os salários.
Falta de profissionais qualificados ainda é desafio
O déficit não significa necessariamente ausência de candidatos em todas as vagas de tecnologia.
A principal dificuldade está em encontrar profissionais com a qualificação e a experiência exigidas pelas empresas, especialmente para funções mais especializadas.
O crescimento de cursos técnicos e formações de curta duração ajudou a ampliar a oferta de trabalhadores nos últimos anos, mas a diferença entre demanda e oferta ainda permanece relevante para parte das vagas formais.
Além disso, a rápida transformação das ferramentas utilizadas no setor exige atualização constante. Tecnologias relacionadas a inteligência artificial, computação em nuvem, segurança digital e análise de dados estão entre as áreas que mais vêm modificando as exigências do mercado.
Tecnologia está presente em vários setores
Outro fator que amplia a procura por esses profissionais é que a demanda não vem apenas de empresas originalmente ligadas à tecnologia.
Bancos, indústrias, hospitais, varejistas, empresas do agronegócio e organizações do setor público dependem cada vez mais de sistemas digitais, dados, automação e segurança da informação.
Isso faz com que profissionais de tecnologia sejam disputados por diferentes segmentos da economia.
Para quem busca entrar na área, o cenário reforça a importância da formação técnica, do desenvolvimento de habilidades práticas e da atualização constante. Apesar das oportunidades e dos salários elevados em determinados cargos, a entrada no mercado pode ser mais competitiva em posições iniciais.





