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Falsos médicos criados por IA viralizam nas redes e preocupam especialistas

Avatares gerados por inteligência artificial acumulam milhões de visualizações ao divulgar receitas sem comprovação científica e podem colocar a saúde de idosos em risco
Por: Redação
10 de agosto de 2026 - 9:22 AM

Uma rede de perfis e canais que utilizam personagens criados por inteligência artificial para se passar por médicos tem chamado a atenção de pesquisadores e especialistas em saúde. Os avatares, que publicam vídeos com promessas de curas, receitas caseiras e tratamentos milagrosos, acumulam milhões de visualizações e têm como principal público pessoas idosas.

Segundo levantamento citado na reportagem, somente uma rede monitorada pela organização CTRL+Z reúne mais de 70 milhões de visualizações em canais do YouTube dedicados a conteúdos de saúde produzidos com inteligência artificial. A entidade afirma que a produção ocorre em larga escala e que os vídeos são impulsionados pelos algoritmos da plataforma.

Receitas sem comprovação e promessas de cura
Os vídeos costumam apresentar supostos médicos, de jaleco e linguagem técnica, recomendando alimentos, chás e misturas caseiras para tratar doenças como gastrite, diabetes, hipertensão, catarata e dores nas articulações.

Especialistas alertam, porém, que muitas dessas orientações não possuem respaldo científico e podem levar pacientes a abandonar tratamentos médicos ou retardar diagnósticos importantes.

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Entre os exemplos encontrados estão recomendações de bicarbonato de sódio para catarata, chá de cebola roxa para diabetes e misturas de cúrcuma com pimenta do reino para dores articulares, receitas consideradas sem evidências científicas e que podem trazer riscos à saúde.

Idosos são o principal alvo
De acordo com pesquisadores, os produtores desse tipo de conteúdo direcionam os vídeos ao público idoso porque esse grupo costuma consumir vídeos mais longos, pesquisar temas relacionados à saúde e demonstrar maior confiança em conteúdos que aparentam credibilidade.

A reportagem cita o caso de uma mulher de 82 anos que acreditou estar assistindo a um médico verdadeiro e só descobriu depois que o personagem havia sido criado por inteligência artificial. Ela afirmou que não percebeu tratar se de um avatar gerado por IA.

Conteúdo pode configurar crime
Juristas ouvidos pela reportagem afirmam que os responsáveis pelos canais podem responder por crimes como falsa identidade e exercício ilegal da medicina quando utilizam personagens para simular profissionais de saúde e orientar tratamentos.

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Especialistas também destacam que as plataformas digitais podem ser responsabilizadas caso não removam conteúdos enganosos após serem notificadas.

Plataformas afirmam combater desinformação
O Google informou que o YouTube possui políticas contra desinformação médica e que conteúdos gerados por inteligência artificial devem seguir as diretrizes da plataforma. Após contato da reportagem original, alguns dos maiores canais identificados foram removidos.

Especialistas recomendam que informações sobre saúde sejam buscadas apenas com profissionais habilitados e em fontes confiáveis, evitando seguir receitas ou interromper tratamentos com base em vídeos publicados nas redes sociais.

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