O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução autorizando o uso de dois novos tratamentos para câncer de próstata no Brasil. A medida permite a utilização do ultrassom focado de alta intensidade e da crioablação, técnicas consideradas menos invasivas para pacientes com perfis específicos da doença.
As chamadas terapias focais têm como objetivo destruir apenas a área afetada pelo tumor, preservando tecidos saudáveis ao redor e reduzindo possíveis efeitos colaterais associados aos tratamentos convencionais.
Técnicas buscam preservar qualidade de vida
Segundo o CFM, uma das principais vantagens das novas terapias é a menor agressividade ao organismo quando comparadas a procedimentos como a retirada total ou parcial da próstata.
O ultrassom focado de alta intensidade utiliza ondas sonoras para destruir células tumorais, enquanto a crioablação promove o congelamento das células cancerígenas até sua eliminação.
A expectativa é reduzir complicações como:
incontinência urinária;
disfunção erétil;
e outros impactos na qualidade de vida dos pacientes.
Tratamentos não substituem a terapia padrão
O relator da resolução, o urologista José Elêrton Secioso de Aboim, destacou que as novas técnicas não são consideradas o tratamento padrão para todos os casos de câncer de próstata.
Segundo ele, os procedimentos podem ser eficazes para controlar ou até curar determinados tumores, desde que haja indicação médica adequada.
Nem todos os pacientes poderão utilizar as técnicas
A resolução estabelece critérios específicos para a indicação das terapias focais.
Os tratamentos são recomendados para pacientes com:
câncer de próstata de risco intermediário favorável;
tumores unifocais;
e lesões localizadas em apenas um lado da próstata.
As técnicas também poderão ser utilizadas em alguns casos de pacientes já tratados com radioterapia externa e em situações específicas de câncer de próstata de baixo risco.
Por outro lado, a norma proíbe a utilização dos procedimentos em tumores classificados como:
risco intermediário desfavorável;
alto risco;
ou muito alto risco.
Acompanhamento continuará sendo obrigatório
O CFM determinou que pacientes submetidos às terapias focais deverão realizar acompanhamento rigoroso após o tratamento.
A recomendação inclui exames periódicos de PSA (Antígeno Prostático Específico) e realização de biópsias para avaliar a eficácia do procedimento e monitorar possíveis sinais de recorrência da doença.
O câncer de próstata é um dos tipos mais frequentes entre os homens e o diagnóstico precoce continua sendo um dos principais fatores para aumentar as chances de sucesso no tratamento.





