Com o Carnaval e o início do ano letivo nas universidades, o coma alcoólico volta ao centro das preocupações médicas. A combinação entre festas prolongadas, trotes universitários e consumo excessivo de álcool eleva o risco de intoxicação grave, condição que pode evoluir rapidamente para parada cardiorrespiratória, lesões neurológicas permanentes e até morte.
Muitas vezes confundido com embriaguez comum, o coma alcoólico é o estágio mais grave da intoxicação por álcool e exige atendimento imediato.
O que é o coma alcoólico
O coma alcoólico ocorre quando há rebaixamento profundo do nível de consciência devido à ação do álcool como depressor do sistema nervoso central. O quadro pode incluir risco de aspiração de vômito, hipotermia e instabilidade dos sinais vitais.
“A pessoa pode não responder a estímulos e apresentar respiração lenta ou irregular. É uma situação que exige socorro imediato”, explica a dra. Keila Narimatsu, neurologista credenciada da Omint.
Segundo a especialista, é importante diferenciar intoxicação alcoólica grave do coma. Na intoxicação severa, ainda pode haver consciência parcial, confusão mental e vômitos persistentes. Já no coma há perda significativa ou total da consciência e comprometimento das funções vitais, principalmente da respiração.
A Organização Mundial da Saúde afirma que não existe dose segura de consumo de álcool que não afete a saúde.
Sinais de alerta
Os principais sinais que indicam emergência médica são:
sonolência profunda ou inconsciência
dificuldade de acordar
fala incoerente ou ausência de fala
respiração lenta, irregular ou ruidosa
pele fria, pálida ou arroxeada
vômitos com rebaixamento de consciência
convulsões e hipotermia
Diante desses sintomas, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) deve ser acionado imediatamente.
Jovens estão entre os mais vulneráveis
O grupo de maior risco inclui jovens que ingerem grandes quantidades de álcool em curto espaço de tempo, prática comum em trotes e festas universitárias. Também estão mais vulneráveis idosos, pessoas de baixo peso e quem utiliza medicamentos como benzodiazepínicos, opioides, antidepressivos ou antipsicóticos.
Doenças hepáticas, respiratórias ou neurológicas aumentam o risco de complicações.
O que fazer e o que evitar
Em caso de suspeita de coma alcoólico, a orientação médica é:
chamar socorro imediatamente
manter a pessoa deitada de lado, na posição lateral de segurança
observar respiração e pulso
manter a vítima aquecida
nunca deixá-la sozinha
A neurologista alerta para práticas equivocadas que podem agravar o quadro. “Dar café, banho gelado, induzir o vômito ou forçar a pessoa a andar aumentam o risco de aspiração e parada respiratória. Também é perigoso deixar a pessoa dormir para ver se melhora”, afirma.
Sequelas podem ser permanentes
Quando há atraso no atendimento, o coma alcoólico pode causar déficits de memória e atenção, epilepsia secundária, distúrbios motores e psiquiátricos. Em casos extremos, pode evoluir para estado vegetativo ou óbito.
O prognóstico depende do tempo de falta de oxigenação cerebral, da quantidade ingerida e da rapidez no socorro.
Metanol: risco invisível
Outro fator de preocupação é a presença de metanol em bebidas adulteradas. De acordo com dados do Ministério da Saúde, até novembro de 2025 foram registrados 97 casos e 16 mortes no país relacionadas à ingestão de bebidas contaminadas. No estado de São Paulo, até 5 de fevereiro deste ano, 12 mortes foram confirmadas.
Diferentemente do etanol, o metanol é metabolizado em ácido fórmico, substância que pode causar acidose grave, cegueira, convulsões e coma.
“O quadro pode piorar mesmo quando a pessoa parece ter melhorado. Qualquer suspeita de bebida de procedência duvidosa deve ser tratada como emergência”, alerta a médica.
Prevenção em tempos de festa
Para reduzir riscos durante o Carnaval e eventos universitários, as recomendações são:
alimentar-se antes e durante o consumo
beber devagar e intercalar com água
evitar misturar álcool com medicamentos ou outras drogas
não aceitar bebidas de procedência duvidosa
não incentivar competições de consumo
permanecer em grupo e observar os amigos
“O cuidado coletivo pode salvar vidas. Reconhecer os sinais precocemente e agir rápido é o que separa um susto de uma tragédia”, reforça a neurologista.





