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IA cria falsos médicos e preocupa especialistas com desinformação em saúde nas redes sociais

Vídeos gerados por inteligência artificial se passam por profissionais da saúde, acumulam milhões de visualizações e podem levar pessoas a abandonar tratamentos médicos.
Por Redação
2 de julho de 2026 - 8:15 AM

A popularização da inteligência artificial trouxe novos desafios para a saúde pública. Uma investigação da BBC News Brasil revelou a existência de uma rede de canais no YouTube que utiliza avatares criados por IA para simular médicos, divulgar orientações sem respaldo científico e atrair principalmente pessoas idosas em busca de informações sobre saúde.

Segundo a reportagem, esses canais já ultrapassaram 70 milhões de visualizações e fazem parte de um modelo de produção em larga escala, no qual rostos, vozes e roteiros são gerados por inteligência artificial para transmitir credibilidade ao público. Muitos vídeos misturam informações verdadeiras com recomendações sem comprovação científica, apresentadas como se fossem consultas médicas.

Idosos estão entre os principais alvos
A investigação mostra que muitos usuários acreditam estar assistindo a médicos reais. Em comentários publicados nos vídeos, pessoas relatam ter mudado hábitos, abandonado medicamentos e até desistido de procedimentos médicos após seguir as orientações apresentadas pelos personagens virtuais.

Especialistas ouvidos pela BBC alertam que esse comportamento pode representar riscos graves à saúde, principalmente entre idosos, que costumam buscar informações sobre doenças crônicas e prevenção na internet.

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Conteúdo é criado para gerar medo e engajamento
Os vídeos seguem um padrão semelhante: um suposto médico aparece usando jaleco branco, afirma possuir anos de experiência e promete revelar “segredos” para tratar doenças por meio de alimentos, chás ou receitas caseiras.

De acordo com a investigação, há cursos e tutoriais que ensinam produtores de conteúdo a utilizar inteligência artificial para criar esses personagens e desenvolver roteiros capazes de provocar medo, urgência e alto engajamento nas plataformas digitais. O objetivo é aumentar as visualizações e lucrar com anúncios, venda de e-books e outros produtos.

Especialistas alertam para riscos e possíveis crimes
Representantes do Conselho Federal de Medicina e especialistas em Direito afirmam que o uso de personagens que se apresentam como médicos pode configurar crimes como falsa identidade e exercício ilegal da medicina, dependendo da forma como o conteúdo é divulgado. Além disso, orientações genéricas podem atrasar diagnósticos e comprometer tratamentos importantes.

A recomendação é que qualquer informação sobre saúde encontrada nas redes sociais seja confirmada com profissionais habilitados e em fontes oficiais, evitando interromper medicamentos ou iniciar tratamentos por conta própria.

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YouTube removeu alguns canais
Após ser procurado pela BBC News Brasil, o Google informou que conteúdos gerados por inteligência artificial precisam seguir as políticas da plataforma e afirmou que adiciona avisos quando o material é produzido com IA.

Segundo a reportagem, alguns dos maiores canais identificados na investigação foram removidos após o contato da BBC.