🇧🇷

Publicidade

Samu de Piracicaba registra 943 atendimentos de saúde mental em pouco mais de três meses

Levantamento reúne ocorrências entre julho e outubro de 2026; serviço conta com psiquiatras durante 18 horas por dia e protocolos específicos para atendimento de crises
Por: Redação
28 de outubro de 2026 - 7:00 AM

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Piracicaba realizou 943 atendimentos relacionados à saúde mental entre 6 de julho e 17 de outubro de 2026, segundo levantamento divulgado pela Prefeitura nesta terça-feira (27).

Os registros abrangem diferentes situações de emergência, como crises psiquiátricas, episódios psicóticos, agitação intensa, comportamento agressivo, risco de violência, tentativas de suicídio e quadros graves de depressão.

O volume representa uma média de aproximadamente nove atendimentos por dia ao longo dos 104 dias analisados.

Os números correspondem aos atendimentos registrados pelo serviço, e não necessariamente a 943 pessoas diferentes, já que um mesmo paciente pode precisar de assistência mais de uma vez.

📲 Continue acompanhando nosso portal

Piracicaba conta com plantão de psiquiatria de 18 horas por dia
Desde fevereiro de 2026, o Samu de Piracicaba passou a contar com um plantão regular de psiquiatria, com profissionais especialistas disponíveis durante 18 horas diárias.

Anteriormente, a presença de psiquiatras ocorria em plantões esporádicos.

Com a mudança, os médicos especialistas passaram a participar diretamente da regulação de chamadas relacionadas a crises de saúde mental.

A atuação ocorre tanto por telefone, oferecendo orientações a pacientes, familiares e profissionais, quanto presencialmente, quando a situação exige atendimento no local.

📲 Continue acompanhando nosso portal

A medida busca apoiar a avaliação de cada ocorrência e orientar a resposta mais adequada às necessidades apresentadas.

O atendimento de emergência pelo número 192 continua disponível 24 horas por dia. A cobertura de 18 horas informada pela Prefeitura refere-se especificamente ao plantão de psiquiatria, e não ao funcionamento geral do Samu.

Atendimento busca evitar acionamentos repetidos
A médica Bruna Rossi, responsável pelo serviço de emergência psiquiátrica, explica que o acompanhamento das situações pode exigir estratégias diferentes de uma simples resposta a cada chamada.

Segundo ela, a integração entre os profissionais e a adoção de protocolos específicos contribuíram para reduzir acionamentos recorrentes em determinados casos.

📲 Continue acompanhando nosso portal

Como exemplo, a médica mencionou uma paciente que chegou a ligar para o Samu até dez vezes em uma mesma semana.

Depois da aplicação de orientações telefônicas e de uma abordagem individualizada, a frequência de chamadas dessa paciente diminuiu.

O relato mostra a importância de avaliar as necessidades de cada pessoa e buscar continuidade no cuidado.

Entretanto, a Prefeitura não divulgou dados gerais que permitam medir a redução dos chamados repetidos em toda a rede.

Samu, UPAs e rede de saúde mental trabalham de forma integrada
O atendimento das crises psiquiátricas envolve a comunicação entre diferentes serviços municipais.

De acordo com Bruna Rossi, foram realizados treinamentos para melhorar o diálogo entre o Samu, a equipe de Saúde Mental e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

“Realizamos treinamentos e isso melhorou muito a nossa comunicação”, afirmou a médica.

A integração é importante porque nem todas as ocorrências podem ser resolvidas no atendimento inicial.

Dependendo da avaliação, o paciente pode precisar de encaminhamento e acompanhamento por outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Essa rede reúne serviços responsáveis pelo cuidado em saúde mental, conforme a organização e os recursos disponíveis no município.

O objetivo é evitar que a assistência se limite ao momento da emergência, quando há necessidade de acompanhamento posterior.

Guarda Civil também recebeu capacitação
A Guarda Civil de Piracicaba participou de treinamentos voltados ao atendimento de pessoas em crises de saúde mental.

As orientações utilizam materiais especializados em emergências psiquiátricas e conhecimentos adquiridos pelas equipes durante a prática profissional.

A capacitação busca preparar os agentes para reconhecer situações de risco e atuar em conjunto com os serviços de saúde.

O atendimento humanizado é especialmente importante em ocorrências que envolvem agitação, desorientação ou sofrimento psíquico intenso.

Nessas situações, a abordagem deve considerar a segurança da pessoa atendida, dos familiares e dos profissionais envolvidos.

Experiência de Piracicaba despertou interesse de outros municípios
O protocolo utilizado pelo Samu de Piracicaba foi apresentado durante o 1º Congresso Internacional do Samu, realizado em Brasília.

A iniciativa também recebeu a atenção de equipes de outros municípios paulistas.

Segundo a Prefeitura, profissionais de Araraquara e Porto Feliz visitaram Piracicaba para conhecer os procedimentos adotados no atendimento às emergências psiquiátricas.

A troca de experiências permite que diferentes serviços discutam métodos de atendimento e estratégias de integração.

A apresentação em congresso e o interesse de outros municípios, entretanto, não constituem, por si só, uma avaliação independente dos resultados clínicos do protocolo.

Profissionais das unidades de saúde também passam por treinamento
Outra frente da iniciativa é a formação promovida pelo Núcleo de Educação em Urgência (NEU).

As capacitações são destinadas a profissionais do Samu, das UPAs e das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

O conteúdo aborda formas de lidar com crises de saúde mental, acolhimento e procedimentos que podem auxiliar na avaliação e no encaminhamento das ocorrências.

A proposta é melhorar a comunicação entre os serviços e oferecer condições para que os profissionais atuem de maneira coordenada.

Quando acionar o Samu por questões de saúde mental?
O Samu deve ser acionado pelo telefone 192 quando uma situação de saúde mental representar uma emergência, com risco imediato à segurança ou à vida.

Entre os exemplos estão tentativas de suicídio, risco iminente de autoagressão, comportamento que coloque a pessoa ou outras pessoas em perigo e crises intensas que exijam avaliação urgente.

Em situações de sofrimento emocional sem risco imediato, a pessoa também pode procurar atendimento na rede de saúde para avaliação e acompanhamento.

Familiares e pessoas próximas devem buscar manter um ambiente seguro, evitar confrontos e informar aos profissionais as condições observadas, sem tentar realizar intervenções para as quais não tenham preparo.

Onde buscar ajuda em Piracicaba?
Para emergências, o atendimento é realizado pelo Samu, no telefone 192.

Para acompanhamento de saúde mental, a população pode procurar a unidade de saúde de referência e obter informações sobre os serviços disponíveis na rede municipal.

Também existe o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, todos os dias, 24 horas por dia.

O CVV não substitui o atendimento médico de emergência.

Os 943 atendimentos registrados em pouco mais de três meses mostram a demanda por assistência em situações de sofrimento psíquico e crises psiquiátricas em Piracicaba.

O desafio para a rede municipal é garantir que a resposta à emergência esteja articulada ao acompanhamento de saúde necessário após cada ocorrência.

 

×