A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas aos Estados Unidos serão afetadas pela nova tarifa adicional de 25%, que entra em vigor na próxima quarta-feira (22).
Segundo a entidade, embora o governo norte americano tenha ampliado a lista de produtos isentos da medida, uma parcela significativa das exportações brasileiras continuará sujeita à nova cobrança.
Parte dos produtos foi retirada da lista
De acordo com a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, a ampliação das exceções ocorreu após negociações conduzidas por representantes do setor agropecuário junto ao governo dos Estados Unidos.
Entre os produtos que passaram a ficar de fora da nova tarifa estão pescados, mel e café solúvel.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) aumentou o número de linhas tarifárias isentas para 2.126, em comparação com a proposta inicial apresentada em junho.
Segundo a CNA, o próprio governo norte americano justificou a decisão pela dependência da indústria dos EUA de determinados insumos brasileiros, pela insuficiência da produção doméstica e pelos possíveis impactos sobre cadeias produtivas estratégicas.
Produtos que seguem tarifados
Apesar das exceções, diversos produtos do agronegócio brasileiro continuarão sujeitos à tarifa adicional.
Entre eles estão madeira, arroz, uva, ovos, açúcar e outros itens.
Em 2025, essas mercadorias representaram aproximadamente US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte americano.
No total, o agronegócio brasileiro exportou US$ 11,409 bilhões em produtos para os Estados Unidos no ano passado, conforme dados do Sistema Agrostat.
CNA defende diálogo entre os países
A entidade informou que recebeu com preocupação a decisão do governo dos Estados Unidos e afirmou que continuará defendendo os interesses do setor agropecuário brasileiro.
Segundo Sueme Mori, a CNA participou de todas as etapas da investigação conduzida pelo governo norte americano, apresentando estudos técnicos e defendendo que a competitividade do agronegócio brasileiro resulta de investimentos, inovação e ganhos de produtividade ao longo das últimas décadas.
A confederação também reforçou a importância da complementaridade entre as cadeias produtivas dos dois países e seguirá buscando soluções para preservar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.





