A castanha de baru produzida no Cerrado Mineiro acaba de alcançar um novo mercado internacional. A Cooperativa Regional de Base na Agricultura Familiar e Extrativismo (Copabase) realizou a primeira exportação direta do produto para a Áustria, marcando a entrada da oleaginosa no mercado europeu após a liberação da importação pela União Europeia.
O embarque inicial foi de 200 quilos de castanha torrada e representa um avanço para a cadeia produtiva do baru, importante fonte de renda para centenas de famílias extrativistas do Noroeste de Minas Gerais. Segundo a cooperativa, o mercado europeu oferece maior valorização ao produto, com remuneração cerca de 25% superior à obtida em outros destinos internacionais, como Estados Unidos, Canadá e Emirados Árabes Unidos.
A abertura desse novo mercado foi resultado de um trabalho conjunto envolvendo instituições como Sebrae Minas, Funbio, WWF Brasil, Fundação Banco do Brasil e Central do Cerrado, que apoiaram ações de rastreabilidade, adequação sanitária e fortalecimento da gestão da cooperativa.
Para a gestora da Copabase, Dionete Figueiredo, a exportação simboliza o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas comunidades locais. Segundo ela, cada carga enviada ao exterior representa o esforço das famílias que vivem do extrativismo e contribuem para a conservação do Cerrado.
Além da conquista internacional, a cooperativa também vem acumulando reconhecimento no mercado nacional. Durante a NaturalTech 2026, realizada em São Paulo, o produto Baru Drageado 70% Cacau conquistou o segundo lugar na categoria de alimentos do Wellnow Bio Brazil Fair Awards, reforçando o potencial de agregação de valor à matéria prima regional.
Atualmente, a castanha de baru responde por aproximadamente metade do faturamento da Copabase. A atividade beneficia cerca de 300 famílias e movimenta aproximadamente 15 toneladas do produto por ano, consolidando o extrativismo sustentável como alternativa de geração de renda e preservação ambiental no Cerrado brasileiro.
A expansão das exportações reforça o potencial dos produtos da sociobiodiversidade brasileira no mercado internacional e amplia as oportunidades para a agricultura familiar, aliando desenvolvimento econômico, valorização das comunidades tradicionais e conservação dos recursos naturais.





