A Prefeitura de Piracicaba realizou, na quarta-feira, 28 de outubro, uma ação de prevenção à leptospirose na região da Rua do Porto, após o transbordamento do rio Piracicaba provocado pelas fortes chuvas do último fim de semana.
A atividade foi conduzida pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), com visitas a residências e estabelecimentos comerciais para orientar a população sobre os riscos da doença e os cuidados necessários durante a limpeza de áreas atingidas pela enchente.
Ao todo, 80 locais receberam orientações, incluindo imóveis na Rua do Porto e estabelecimentos comerciais na Estrada do Bongue.
A iniciativa complementa os trabalhos de limpeza urbana realizados pela Prefeitura, que envolvem a retirada de lama, lixo e materiais acumulados após o recuo da água.
O que é leptospirose e como ocorre a transmissão?
A leptospirose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Leptospira.
A transmissão ocorre principalmente quando a pessoa entra em contato com água, lama ou solo contaminados pela urina de ratos e outros animais infectados.
Durante enchentes, a água pode espalhar materiais contaminados por ruas, quintais e imóveis, aumentando o risco de exposição.
A bactéria pode entrar no organismo por pequenas lesões na pele, pela pele que permaneceu muito tempo em contato com a água ou pelas mucosas, como olhos, nariz e boca.
Por isso, o risco não se limita às pessoas que entram diretamente no rio. Quem realiza a limpeza de imóveis atingidos também precisa adotar medidas de proteção.
Quais são os sintomas da leptospirose?
Segundo as orientações divulgadas pelo CCZ, os sintomas podem aparecer entre dois e 30 dias após a exposição.
Os principais sinais incluem:
Febre;
Dor de cabeça;
Dores musculares, especialmente nas panturrilhas;
Náuseas;
Vômitos;
Mal-estar.
Nos casos graves, podem ocorrer complicações como comprometimento dos rins e do fígado, além de pele e olhos amarelados, condição conhecida como icterícia.
Quem teve contato com água ou lama de enchente e apresentar sintomas deve procurar atendimento médico e informar sobre a exposição.
Essa informação ajuda os profissionais de saúde a avaliar a possibilidade de leptospirose e definir a conduta adequada.
A doença pode apresentar sintomas semelhantes aos de outras infecções, como a dengue, tornando importante a avaliação profissional.
Como se proteger durante a limpeza após enchentes?
A principal recomendação é evitar contato direto com a água e a lama acumuladas durante os alagamentos.
Quando a limpeza de áreas atingidas for inevitável, é importante utilizar equipamentos de proteção.
Entre os cuidados recomendados estão:
Evitar caminhar ou permanecer em áreas alagadas;
Utilizar botas e luvas impermeáveis durante a limpeza;
Impedir que crianças brinquem em água ou lama de enchentes;
Remover resíduos com cuidado, evitando contato direto com a pele;
Higienizar os ambientes atingidos com produtos adequados, seguindo as orientações de segurança;
Não misturar água sanitária com outros produtos de limpeza;
Proteger alimentos e água de possíveis contaminações;
Manter o lixo acondicionado corretamente para evitar a presença de roedores.
O CCZ também orienta que os tutores mantenham os cuidados veterinários e a vacinação dos animais domésticos em dia.
Entretanto, a vacinação de animais não substitui as medidas de proteção individual e de higiene dos ambientes.
Moradores da Rua do Porto relatam experiência com enchentes
Durante as visitas, agentes do CCZ conversaram com moradores que já enfrentaram diversas enchentes na região.
Márcia Rocha, de 68 anos, vive na Rua do Porto desde o nascimento e relatou que sua família costuma utilizar botas e tomar cuidados especiais durante a limpeza.
“Sempre usamos bota, orientamos as crianças e usamos água sanitária para limpar”, contou.
O irmão dela, Daniel Rocha, de 61 anos, também mora na região desde que nasceu e afirmou ter vivenciado cerca de 15 enchentes.
Segundo o morador, durante a ocorrência mais recente a água chegou a entrar no quintal de sua residência.
Ele também relatou a presença de animais e materiais trazidos pela correnteza.
Os relatos mostram como as inundações podem afetar repetidamente imóveis próximos ao rio e reforçam a necessidade de cuidados após a água baixar.
Restaurantes e comércios também receberam orientações
A ação de prevenção incluiu visitas a estabelecimentos comerciais da Rua do Porto e da Estrada do Bongue.
Durante as conversas, os profissionais destacaram cuidados com a limpeza, a proteção dos alimentos e a prevenção de contato com materiais possivelmente contaminados.
Em um dos estabelecimentos, o funcionário Victor Nascimento recebeu orientações da equipe.
A veterinária Renata Rolim, do CCZ, também recomendou que os materiais informativos fossem colocados em locais acessíveis para consulta de funcionários e outras pessoas.
Além dela, participaram das visitas Max Alencar, Maurício Canale e Valcenir Nogueira.
A ação alcançou 80 residências e pontos comerciais, segundo o balanço da Prefeitura.
Trabalho de prevenção acompanha limpeza das áreas alagadas
A coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses, Aline Reis, explicou que a orientação aos moradores integra as ações adotadas após a enchente.
“Esta é uma ação conjunta da limpeza da área com o trabalho educativo e preventivo do CCZ”, afirmou.
A mobilização foi realizada depois que o rio Piracicaba ultrapassou a marca de extravasamento no domingo, 25 de outubro.
A elevação do nível da água atingiu vias e áreas próximas à Rua do Porto, exigindo a mobilização de equipes municipais para limpeza e recuperação das condições de circulação.
Mesmo após o recuo do rio, o contato com lama e resíduos pode representar riscos à saúde.
Quando procurar atendimento médico?
Pessoas que tiveram contato com água ou lama de enchente devem ficar atentas ao surgimento de sintomas durante os 30 dias seguintes à exposição.
Em caso de febre, dores musculares, dor de cabeça, náuseas ou outros sinais de adoecimento, a recomendação é procurar uma unidade de saúde.
É importante informar ao profissional que houve contato com água ou lama de enchente, mesmo que isso tenha ocorrido vários dias antes.
Em situações graves, com dificuldade para respirar, alteração da consciência ou outros sinais de emergência, a população pode acionar o Samu pelo telefone 192.
A leptospirose tem tratamento, e a identificação oportuna dos casos é importante para reduzir o risco de complicações.
Prevenção continua após a enchente
A ação realizada pelo CCZ buscou levar informações diretamente aos moradores e comerciantes das áreas atingidas.
O balanço municipal informa o número de locais orientados, mas não apresenta registros de casos confirmados de leptospirose associados à enchente de outubro.
A orientação permanece válida durante todo o período de limpeza e recuperação dos imóveis, especialmente para quem teve contato com água, lama ou resíduos acumulados.





