Mais de 3 milhões de adolescentes brasileiros receberam a primeira dose da vacina contra a dengue, mas ainda precisam completar o esquema vacinal, segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde.
O levantamento foi divulgado pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada no Rio de Janeiro.
A informação foi publicada pela Agência Brasil na segunda-feira (26) e chama a atenção para a necessidade de atualizar a vacinação antes do período de maior circulação da dengue, normalmente associado aos meses mais quentes e chuvosos.
A vacina Qdenga, utilizada na estratégia nacional de imunização, exige duas doses, com intervalo de três meses, para completar o esquema recomendado.
Brasil aplicou mais de 11,8 milhões de doses
Segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, o país já administrou mais de 11,8 milhões de doses da vacina contra a dengue.
Desse total:
7,6 milhões correspondem a primeiras doses;
4,2 milhões correspondem a segundas doses;
Mais de 3 milhões de adolescentes ainda precisam completar a vacinação.
O Ministério também informou que quase 4 milhões de doses distribuídas aos municípios ainda não foram aplicadas.
Os números são nacionais e mostram a necessidade de ampliar a procura pela segunda dose entre pessoas que já iniciaram a imunização.
É importante observar que nem toda pessoa que recebeu a primeira dose está necessariamente atrasada, pois algumas ainda podem estar dentro do intervalo previsto para a aplicação da segunda.
Quem pode receber a vacina contra a dengue pelo SUS?
A vacinação com a Qdenga está disponível na rede pública para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, conforme a estratégia nacional do Ministério da Saúde.
Inicialmente, a campanha foi concentrada em municípios com maior incidência da doença, mas a oferta foi ampliada progressivamente para todo o país.
A definição da faixa etária levou em consideração as evidências de segurança e o risco de desenvolvimento de formas graves da dengue.
O Ministério da Saúde estuda a possibilidade de ampliar a vacinação para outras idades, mas essa decisão depende de avaliações técnicas, condições operacionais e disponibilidade de recursos.
Não há, no levantamento apresentado, anúncio de ampliação geral da Qdenga para adultos pelo SUS.
Por que a segunda dose é importante?
A vacina contra a dengue foi incorporada à estratégia nacional para reduzir o risco de adoecimento, especialmente de formas graves.
No caso da Qdenga, o esquema recomendado exige duas aplicações.
A segunda dose, administrada três meses após a primeira, é necessária para completar a proteção prevista no esquema vacinal.
Por isso, pais e responsáveis devem verificar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes que já receberam a primeira dose.
Caso o intervalo recomendado tenha sido ultrapassado, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e atualização do esquema.
A vacinação não elimina a necessidade de combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da zika e da chikungunya.
Verão pode aumentar risco de transmissão
Durante a apresentação, Eder Gatti destacou a importância de antecipar a imunização ao período de maior circulação do vírus.
Nos meses mais quentes e chuvosos, as condições ambientais costumam favorecer a reprodução do mosquito transmissor.
Segundo o diretor do PNI, a possibilidade de influência do fenômeno climático El Niño também exige atenção para o próximo verão.
Isso não significa que um aumento específico de casos esteja confirmado para Piracicaba. O comportamento da doença depende de fatores locais, climáticos e epidemiológicos.
Além da vacinação, a prevenção deve incluir a eliminação de recipientes com água parada, a limpeza de calhas e a manutenção adequada de caixas e reservatórios de água.
Vacina do Butantan continua com aplicação suspensa
O Ministério da Saúde também apresentou informações sobre a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.
Segundo Eder Gatti, a aplicação desse imunizante permanece suspensa após a identificação de três casos de dengue grave, incluindo dois óbitos, entre mais de 500 mil pessoas vacinadas.
Ainda não foi comprovado que a vacina tenha causado os casos relatados.
A suspensão foi adotada como medida de precaução diante de um sinal de segurança que precisa ser investigado.
O Ministério informou que são necessários estudos complementares antes de uma decisão sobre a retomada da vacinação.
A situação da vacina do Butantan não deve ser confundida com a estratégia de imunização que utiliza a Qdenga, aplicada em duas doses.
E como fica a vacinação em Piracicaba?
Em Piracicaba, famílias com crianças e adolescentes de 10 a 14 anos devem conferir a situação vacinal e procurar orientação nas unidades municipais de saúde.
Quem recebeu a primeira dose há três meses ou mais e ainda não completou o esquema deve verificar a possibilidade de receber a segunda aplicação.
Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde não informam quantos adolescentes de Piracicaba estão com a vacinação incompleta.
Também não há, nesse levantamento, informações específicas sobre o estoque de vacinas ou a cobertura atual do município.
Por isso, a disponibilidade deve ser consultada diretamente na rede municipal de saúde.
Vacinação e combate ao mosquito precisam continuar
O Ministério da Saúde informou que mantém contratos para o fornecimento da Qdenga, com previsão de entrega de 9 milhões de doses em 2026 e outras 9 milhões em 2027.
A estratégia busca manter a vacinação do público contemplado pelo SUS.
Para a população, a principal orientação é não deixar de completar o esquema recomendado e continuar adotando medidas de prevenção dentro de casa, nos quintais e em áreas comuns.
A combinação de vacinação, vigilância epidemiológica e controle dos criadouros é fundamental para reduzir os riscos da dengue.





