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Federação alemã discute boicote à Copa do Mundo de 2026 nos EUA após ações de Trump

Vice presidente da entidade afirma que cenário político é grave e defende debate sobre retirada do torneio; pesquisa indica apoio de parte da população alemã
Por Redação
26 de janeiro de 2026 - 2:05 PM

O vice presidente da Federação Alemã de Futebol, Oke Gottlich, afirmou que a entidade precisa discutir de forma séria a possibilidade de um boicote à Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. A declaração foi dada em entrevista ao jornal alemão Hamburger Morgenpost e está relacionada às recentes ações do presidente norte americano Donald Trump, especialmente à ameaça de anexação da Groenlândia.

Segundo Gottlich, o contexto atual representa um risco maior do que aquele que motivou os boicotes olímpicos durante a Guerra Fria, nos anos 1980. Para ele, o esporte não pode ignorar questões políticas e valores democráticos diante de situações extremas.

O dirigente relembrou os boicotes aos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, e de Los Angeles, em 1984, e afirmou que, na sua avaliação, o momento atual é ainda mais delicado. Gottlich também criticou o que considera incoerência das entidades esportivas em relação ao envolvimento político, citando debates recentes sobre a Copa do Mundo realizada no Catar.

Na Alemanha, o tema ganhou repercussão política. Parlamentares passaram a discutir publicamente a hipótese de retirada da seleção do Mundial, enquanto o governo federal declarou que a decisão cabe exclusivamente às federações esportivas. A secretária de Estado do Esporte, Christiane Schenderlein, afirmou que o governo respeita a autonomia do esporte e acatará qualquer decisão tomada pela Federação Alemã de Futebol em conjunto com a Fifa.

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A possibilidade de boicote também encontra respaldo parcial na opinião pública. De acordo com pesquisa do Instituto Nacional de Estatística realizada para o jornal Bild, 47 por cento dos alemães apoiariam a não participação da seleção caso os Estados Unidos avancem com a anexação da Groenlândia. Outros 35 por cento se disseram contrários à medida.

Deputados de diferentes partidos avaliam que um boicote europeu poderia ser usado como instrumento de pressão política. Para o conservador Roderich Kiesewetter, uma eventual escalada de tensões comerciais e territoriais tornaria inviável a participação de países da Europa no torneio. Já Jürgen Hardt, também da CDU, classificou a retirada como um último recurso. No campo social democrata, Sebastian Roloff defendeu uma resposta coordenada entre os países europeus.

A Copa do Mundo de 2026 será disputada entre 11 de junho e 19 de julho e marcará a primeira edição do torneio com 48 seleções. Tetracampeã mundial, a Alemanha participa de todas as edições do Mundial desde 1954. Donald Trump mantém relação próxima com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que lhe entregou recentemente o Prêmio da Paz da entidade durante o sorteio do torneio.

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