A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor resultado já registrado para esse período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em 2012.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira, 30 de outubro, e mostram uma redução em relação ao segundo trimestre deste ano, quando o índice estava em 5,4%.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, quando a taxa era de 5,6%, também houve queda.
Além da redução do desemprego, o levantamento identificou um novo recorde na população ocupada, que chegou a 103,6 milhões de pessoas.
Apesar do avanço nos indicadores de ocupação, a informalidade permanece elevada, alcançando 37,5% dos trabalhadores brasileiros.
Brasil tem 5,6 milhões de pessoas desempregadas
Segundo o IBGE, aproximadamente 5,6 milhões de pessoas estavam desempregadas no trimestre de julho a setembro de 2026.
O contingente representa uma redução de 234 mil pessoas, ou 4%, em comparação com o trimestre anterior, quando havia cerca de 5,9 milhões de desocupados.
Em relação ao mesmo período de 2025, a diminuição foi de 417 mil pessoas, equivalente a 6,9%.
A taxa de desemprego é calculada considerando pessoas que não estavam trabalhando, estavam disponíveis para trabalhar e procuraram emprego dentro dos critérios estabelecidos pela pesquisa.
Por esse motivo, o índice não representa a proporção de toda a população brasileira que está sem trabalho.
Número de pessoas ocupadas chega a recorde
A população ocupada no país alcançou 103,6 milhões de pessoas, o maior número registrado desde o início da série histórica da Pnad Contínua.
O resultado representa crescimento de 0,6% em relação ao trimestre anterior, com aproximadamente 581 mil pessoas a mais trabalhando.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, houve aumento de 1,2%, equivalente a cerca de 1,2 milhão de trabalhadores.
O nível de ocupação, indicador que mede o percentual de pessoas ocupadas entre aquelas em idade de trabalhar, chegou a 59%.
Também foi o maior resultado da série histórica.
No trimestre anterior, o percentual estava em 58,8%. No mesmo período de 2025, era de 58,7%.
Informalidade atinge 38,8 milhões de trabalhadores
Apesar do crescimento da ocupação, a informalidade continua sendo um dos desafios do mercado de trabalho brasileiro.
Segundo o levantamento, 38,8 milhões de pessoas trabalhavam informalmente no terceiro trimestre de 2026.
Esse contingente corresponde a 37,5% da população ocupada.
O percentual ficou próximo ao registrado no segundo trimestre, quando a informalidade era de 37,4%, com 38,6 milhões de trabalhadores.
No terceiro trimestre de 2025, a taxa estava em 37,8%, equivalente a 38,7 milhões de pessoas.
A categoria inclui diferentes formas de trabalho sem a proteção formal prevista para determinados vínculos, conforme os critérios utilizados pelo IBGE.
Os números mostram que o crescimento da ocupação não foi acompanhado por uma redução expressiva do percentual de trabalhadores informais no último trimestre.
Rendimento médio do trabalhador chega a R$ 3.790
O IBGE também divulgou informações sobre a renda dos trabalhadores.
O rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.790 mensais no terceiro trimestre.
O valor permaneceu estatisticamente estável em relação ao trimestre anterior.
Na comparação com o mesmo período de 2025, porém, houve crescimento de 3,6%, correspondente a R$ 131.
O rendimento real considera a correção dos valores pela inflação, permitindo comparar o poder de compra dos trabalhadores ao longo do tempo.
O valor de R$ 3.790 é uma média nacional e não significa que todos os trabalhadores recebam essa quantia.
Massa de rendimentos alcança R$ 387,5 bilhões
Outro indicador que atingiu recorde foi a massa de rendimento real habitual, que chegou a R$ 387,5 bilhões.
A massa de rendimentos representa a soma dos valores recebidos habitualmente pelas pessoas ocupadas.
Segundo o IBGE, houve aumento de 1,5% em relação ao trimestre anterior, equivalente a R$ 5,6 bilhões.
Na comparação anual, o crescimento foi de 4,7%, ou R$ 17,5 bilhões.
O indicador considera tanto a quantidade de pessoas trabalhando quanto os rendimentos recebidos, ajudando a acompanhar a evolução da renda gerada pelo trabalho no país.
O que os números representam para Piracicaba?
Os dados divulgados pelo IBGE são nacionais e ajudam a compreender o cenário econômico em que estão inseridos trabalhadores, empresas e consumidores de Piracicaba.
A redução do desemprego, o aumento da ocupação e a evolução dos rendimentos são indicadores importantes para acompanhar o mercado de trabalho brasileiro.
Entretanto, a taxa nacional de 5,2% não pode ser apresentada como a taxa de desemprego de Piracicaba.
O levantamento divulgado não informa, nesse recorte, a quantidade de desempregados no município nem o rendimento médio específico dos trabalhadores piracicabanos.
Para avaliar a situação local, é necessário consultar indicadores municipais e regionais, considerando também as diferenças entre pesquisas domiciliares e registros administrativos de empregos formais.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), por exemplo, acompanham admissões e desligamentos de trabalhadores formais, mas não medem o desemprego da mesma maneira que a Pnad Contínua.
Como funciona a pesquisa do IBGE?
A Pnad Contínua acompanha o mercado de trabalho brasileiro por meio de entrevistas realizadas em domicílios.
A pesquisa considera informações sobre ocupação, desemprego, informalidade e rendimento da população.
Para o cálculo do desemprego, o IBGE utiliza critérios padronizados, que permitem acompanhar a evolução do indicador ao longo do tempo.
O resultado de 5,2% refere-se ao trimestre encerrado em setembro de 2026, abrangendo julho, agosto e setembro.
Por isso, não deve ser interpretado como a taxa específica do mês de outubro.
Mercado de trabalho registra avanço, mas informalidade permanece elevada
Os resultados do terceiro trimestre apontam redução do desemprego e crescimento da quantidade de pessoas ocupadas no Brasil.
O rendimento médio também apresentou aumento em relação ao ano anterior.
Ao mesmo tempo, quase quatro em cada dez trabalhadores ocupados continuam na informalidade, o que evidencia diferenças nas condições de inserção no mercado de trabalho.
Os próximos levantamentos do IBGE permitirão acompanhar se a trajetória dos indicadores será mantida nos meses seguintes.




