Menu Modal Responsivo - Jornal VIA
🇧🇷

Por que o Brasil tem menos terremotos fortes que países vizinhos da América do Sul?

Localização no interior da placa Sul Americana reduz a ocorrência de grandes abalos no país, enquanto nações próximas aos Andes estão em uma das principais zonas de encontro entre placas tectônicas
Por: Redação
11 de agosto de 2026 - 8:10 AM

O forte terremoto que atingiu a Colômbia nesta segunda feira (10) voltou a levantar uma pergunta entre os brasileiros: por que países vizinhos registram terremotos de grande magnitude enquanto o Brasil raramente enfrenta fenômenos semelhantes?

A explicação está principalmente na localização geológica do território brasileiro. O Brasil está situado no interior da placa Sul Americana, distante das regiões onde grandes placas tectônicas se encontram. É justamente nesses limites que se concentra boa parte dos terremotos mais intensos registrados no planeta.

Isso, porém, não significa que o território brasileiro esteja completamente livre de tremores. Pequenos abalos sísmicos podem ocorrer e, em determinadas situações, terremotos registrados em outros países da América do Sul também podem ser sentidos no Brasil.

O que provoca um terremoto?
A camada mais externa da Terra é dividida em grandes blocos rochosos conhecidos como placas tectônicas. Essas estruturas estão em movimento constante, ainda que esse deslocamento normalmente ocorra a poucos centímetros por ano.

📲 Participe da nossa comunidade e não perca nenhuma matéria!

Nas regiões onde as placas se encontram, elas podem se aproximar, afastar ou deslizar lateralmente. O movimento acumula tensão nas rochas e, quando ocorre uma ruptura, parte dessa energia é liberada na forma de ondas sísmicas.

São essas ondas que provocam os tremores percebidos na superfície.

Por que os Andes têm tantos terremotos?
Na costa oeste da América do Sul ocorre o encontro entre a placa de Nazca e a placa Sul Americana. A placa de Nazca avança sob a placa continental em um processo conhecido como subducção.

Essa interação está relacionada tanto à formação da Cordilheira dos Andes quanto à intensa atividade sísmica encontrada em países da região.

📲 Participe da nossa comunidade e não perca nenhuma matéria!

Por isso, nações como Chile, Peru, Equador e Colômbia estão mais expostas a grandes terremotos do que o Brasil.

Brasil está longe das bordas das placas
Grande parte do território brasileiro está distante das principais bordas da placa Sul Americana.

Essa posição reduz significativamente a possibilidade de terremotos de grande magnitude associados ao encontro direto entre placas tectônicas.

Mas estar no interior de uma placa não significa ausência completa de atividade sísmica. Existem falhas e zonas de fraqueza na crosta terrestre brasileira que podem sofrer movimentações provocadas pelas tensões existentes dentro da própria placa.

📲 Participe da nossa comunidade e não perca nenhuma matéria!

Por essa razão, terremotos de menor intensidade são registrados periodicamente no país.

Brasil já registrou terremotos
Um dos maiores eventos sísmicos instrumentais associados ao território brasileiro ocorreu em Mato Grosso, em 1955, com magnitude estimada em 6,2, segundo registros do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo.

Outros tremores ocorreram ao longo das décadas em diferentes regiões brasileiras. Na maior parte dos casos, entretanto, os eventos apresentam baixa magnitude ou são sentidos apenas localmente.

Também há situações em que terremotos profundos e fortes ocorridos em países vizinhos têm seus efeitos percebidos em território brasileiro, especialmente em regiões mais próximas das fronteiras.

Terremotos podem acontecer em São Paulo?
O Estado de São Paulo também pode registrar pequenos tremores, embora grandes terremotos sejam incomuns.

A atividade sísmica brasileira é acompanhada por instituições científicas por meio de redes de estações equipadas para detectar vibrações no solo, inclusive aquelas que muitas vezes passam despercebidas pela população.

Para Piracicaba e demais municípios do interior paulista, a localização distante dos grandes limites tectônicos da América do Sul faz com que o risco seja muito diferente daquele enfrentado pelas populações de países andinos.

Ainda assim, a ocorrência de pequenos tremores no Brasil faz parte da dinâmica natural da crosta terrestre e não significa, isoladamente, que um terremoto de grandes proporções esteja prestes a acontecer.