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El Niño pode ser o mais intenso desde 1950 e acende alerta para o agronegócio

Fenômeno climático pode alterar o regime de chuvas no Brasil, afetar lavouras, pecuária e influenciar os preços de commodities no mercado global
Por Redação
13 de julho de 2026 - 10:46 AM

A possibilidade de um dos episódios de El Niño mais intensos desde o início das medições, em 1950, tem colocado o agronegócio brasileiro em estado de atenção. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), as projeções indicam que o fenômeno poderá provocar mudanças significativas no regime de chuvas, com reflexos sobre a produção agrícola, a pecuária e o mercado internacional de alimentos.

No Brasil, o El Niño costuma aumentar o volume de chuvas na região Centro Sul, enquanto reduz as precipitações no Norte e Nordeste. Essa diferença no comportamento climático pode gerar excesso de chuva em algumas áreas e estiagens prolongadas em outras, afetando diretamente o calendário agrícola.

Soja, milho e algodão estão entre as culturas mais sensíveis
Entre julho e setembro ocorre um período decisivo para o planejamento da safra 2026/27. Caso as chuvas atrasem ou ocorram de forma irregular, produtores podem precisar replantar áreas de soja e adiar a semeadura.

Esse atraso também reduz a janela ideal para o cultivo do milho de segunda safra e do algodão, aumentando o risco de perdas provocadas pela falta de chuva no final do ciclo produtivo.

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No último episódio de El Niño, em 2024, aproximadamente 2,9 milhões de hectares de soja precisaram ser replantados devido às condições climáticas adversas.

Apesar da preocupação, especialistas destacam que um El Niño forte não significa necessariamente quebra generalizada da produção, já que os impactos costumam variar conforme a região.

Café e pecuária também entram no radar
O café é outra cultura que pode sentir os efeitos do fenômeno. As chuvas fora de época já interferem na colheita em algumas regiões produtoras, especialmente em Minas Gerais. Agora, a atenção do setor está voltada para a florada, etapa fundamental para a formação da próxima safra.

Na pecuária, ondas de calor previstas para estados como Mato Grosso podem comprometer o desempenho dos animais. Além disso, uma eventual alta nos preços do milho e da soja tende a elevar os custos da alimentação de aves, suínos e bovinos.

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O setor leiteiro também pode enfrentar dificuldades. Excesso de chuvas no Sul e condições mais secas no Sudeste e Nordeste podem reduzir a oferta de leite em importantes regiões produtoras.

Impactos variam conforme a região
Os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o país.

No Norte e na região do Matopiba, formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão é de menos chuva e temperaturas elevadas, aumentando o risco de seca, queimadas e perdas em culturas como soja, mandioca, cacau e açaí.

Em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, a preocupação é com a irregularidade das chuvas e o calor intenso durante o plantio.

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Já no Sul do Brasil, o excesso de chuva pode favorecer enchentes e aumentar a incidência de doenças fúngicas em culturas como soja, milho, trigo, arroz e tabaco.

Reflexos também podem atingir o mercado internacional
Os impactos do El Niño vão além das fronteiras brasileiras. Especialistas avaliam que o fenômeno poderá reduzir a produção de açúcar na Ásia, afetar a safra de café no Vietnã e comprometer a produção de cacau na África Ocidental, região responsável por cerca de 70% da oferta mundial da commodity.

Na América Latina, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico também pode prejudicar a pesca na costa do Peru, enquanto a Argentina tende a registrar chuvas acima da média.

O cenário segue sendo acompanhado por produtores, cooperativas, tradings e analistas, já que os próximos meses serão decisivos para confirmar a intensidade do fenômeno e seus impactos sobre a safra 2026/27.