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Carne bovina brasileira entra na mira dos EUA e pode enfrentar novas tarifas

Entidade do setor pecuário norte americano pede endurecimento das barreiras comerciais contra a carne do Brasil; decisão dos Estados Unidos deve sair até 15 de julho.
Por: Redação
3 de julho de 2026 - 3:13 PM

A carne bovina brasileira voltou ao centro das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A United States Cattlemen’s Association (USCA), uma das principais entidades que representam os produtores de gado norte americanos, solicitou ao governo do presidente Donald Trump a adoção de tarifas e restrições mais rígidas sobre todos os produtos bovinos importados do Brasil.

O pedido faz parte da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que analisa supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte americanos. A definição sobre a aplicação ou não das novas tarifas está prevista para ocorrer até o dia 15 de julho.

Entidade alega concorrência desleal
No documento apresentado ao governo dos EUA, a USCA afirma que a cadeia produtiva brasileira apresenta falhas na rastreabilidade do gado, além de citar preocupações relacionadas ao desmatamento ilegal, condições de trabalho e governança.

Segundo a associação, os sistemas de monitoramento atualmente utilizados não seriam suficientes para garantir o controle da origem dos animais, especialmente em relação aos chamados fornecedores indiretos. A entidade defende que o acesso da carne brasileira ao mercado norte americano seja restringido até que o Brasil comprove avanços nessas áreas.

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Crise no rebanho dos EUA favorece importações
O pedido acontece em um momento delicado para a pecuária dos Estados Unidos. O país enfrenta uma redução histórica do rebanho bovino, consequência de anos de seca, altos custos de produção e diminuição da oferta de animais.

Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu significativamente, enquanto a produção de carne bovina recuou. Esse cenário abriu espaço para o aumento das importações brasileiras.

Em 2025, os Estados Unidos foram o segundo principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil, com 272 mil toneladas embarcadas, crescimento de 18% em relação ao ano anterior. Apenas entre janeiro e maio de 2026, os norte americanos compraram 178 mil toneladas do produto brasileiro, alta de 15% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Tarifa pode afetar exportações brasileiras
Caso o governo Trump confirme a aplicação das novas tarifas, a competitividade da carne brasileira no mercado norte americano poderá ser reduzida, elevando os custos para importadores e impactando as exportações do setor.

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Apesar disso, especialistas destacam que a menor oferta de carne nos Estados Unidos mantém elevada a necessidade de importações, o que pode limitar parte dos efeitos da medida.

Governo brasileiro mantém negociações
O governo federal continua negociando com as autoridades norte americanas para evitar novas barreiras comerciais. Brasília contesta as acusações feitas pelos EUA e afirma que as práticas brasileiras não prejudicam o comércio internacional.

Antes da decisão final, será realizada uma audiência pública em Washington, prevista para 6 de julho, quando representantes do setor produtivo e da sociedade poderão apresentar posicionamentos sobre a proposta.

A expectativa é de que a decisão definitiva sobre a investigação e a eventual aplicação das novas tarifas seja anunciada até 15 de julho.

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