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Eleições nos EUA: americanos votam nesta terça-feira (3) e podem mudar o equilíbrio de poder no Congresso

Pleito de meio de mandato renova as 435 cadeiras da Câmara, disputa 35 vagas no Senado e elege governadores em 36 estados; resultado pode limitar a atuação do presidente Donald Trump nos próximos dois anos
Por: Redação
3 de novembro de 2026 - 12:09 PM

Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. A votação vai definir a nova composição do Congresso americano e poderá alterar o equilíbrio de poder entre o presidente Donald Trump, do Partido Republicano, e a oposição democrata.

Estão em disputa as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e os governos de 36 estados. Os eleitores também participam de outras eleições estaduais e locais.

O pleito acontece na metade do segundo mandato de Trump, que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025. Atualmente, os republicanos controlam as duas casas do Congresso, situação que favorece a tramitação de propostas do governo.

Caso os democratas conquistem a maioria em uma ou nas duas casas legislativas, o presidente poderá enfrentar maior resistência para aprovar projetos, negociar o orçamento federal e conduzir sua agenda política.

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A eleição ocorre em meio a preocupações com o custo de vida, os efeitos econômicos da guerra contra o Irã e as políticas de imigração adotadas pelo governo.

O que são as eleições de meio de mandato?
As eleições de meio de mandato são realizadas a cada quatro anos, dois anos depois da eleição presidencial.

O objetivo é renovar a Câmara dos Representantes e parte do Senado, além de escolher governadores e outras autoridades estaduais e locais.

Diferentemente da eleição presidencial, Donald Trump não está disputando um novo mandato nesta terça-feira.

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O que está em jogo é a composição do Poder Legislativo federal, responsável por aprovar leis, autorizar despesas públicas, fiscalizar o governo e analisar diversas indicações feitas pelo presidente.

Por isso, o resultado pode influenciar diretamente a capacidade de atuação da Casa Branca até o fim do atual mandato presidencial, em janeiro de 2029.

Quantas cadeiras estão em disputa?
A Câmara dos Representantes possui 435 integrantes com direito a voto, eleitos para mandatos de dois anos.

Todas essas cadeiras estão em disputa nesta terça-feira.

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Para conquistar a maioria da Câmara, um partido precisa alcançar pelo menos 218 assentos.

No Senado, os mandatos duram seis anos e as eleições são escalonadas. Em 2026, estão em disputa 35 vagas, incluindo duas eleições especiais.

Os republicanos chegam à votação com maioria de 53 senadores, enquanto o bloco democrata reúne 47 integrantes, incluindo dois independentes alinhados ao partido.

Para assumir o controle do Senado, os democratas precisam alcançar 51 cadeiras. Em uma divisão de 50 a 50, o vice-presidente republicano JD Vance poderá exercer o voto de desempate.

Além do Congresso, os eleitores escolherão governadores em 36 estados americanos.

Por que o resultado é importante para Donald Trump?
O Partido Republicano controla atualmente a Câmara e o Senado, o que permite ao governo contar com maior apoio legislativo.

Uma vitória democrata poderá modificar esse cenário.

Se a oposição conquistar a maioria da Câmara, terá maior capacidade de fiscalizar integrantes da administração federal, convocar audiências e abrir investigações parlamentares.

Também poderá dificultar a aprovação de propostas sobre impostos, imigração, despesas públicas e outras prioridades do presidente.

Caso os democratas conquistem o Senado, também passarão a influenciar de maneira decisiva a análise de nomeações e outras atribuições da Casa.

Entretanto, a perda da maioria no Congresso não significa a saída automática de Trump da Presidência. O presidente continuaria com suas atribuições constitucionais, incluindo o poder de vetar projetos aprovados pelo Legislativo.

Pesquisas indicam vantagem democrata, mas disputa permanece aberta
Uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída na segunda-feira, 2 de novembro, apontou que 46% dos eleitores registrados preferiam candidatos democratas para o Congresso, enquanto 38% manifestaram preferência pelos republicanos.

A vantagem democrata de oito pontos percentuais foi menor que a registrada na semana anterior, quando a diferença havia chegado a 11 pontos.

O levantamento foi realizado com 1.765 adultos americanos e apresentou margem de erro aproximada de dois pontos percentuais.

Apesar da vantagem nacional, o resultado não garante maioria aos democratas.

Isso ocorre porque a composição do Congresso depende de disputas individuais nos estados e distritos eleitorais, com características políticas próprias.

As projeções apontam boas possibilidades para os democratas na Câmara, enquanto a disputa pelo Senado permanece mais incerta.

Aprovação de Trump está próxima da mínima registrada pela Reuters/Ipsos
A mesma pesquisa identificou 32% de aprovação ao governo Donald Trump, índice próximo da mínima de 31% registrada pela série Reuters/Ipsos duas semanas antes.

Entre os eleitores independentes registrados, cerca de 50% afirmaram considerar seu voto para o Congresso uma manifestação contrária ao presidente.

Outros 13% disseram que o voto representava apoio a Trump, enquanto 33% declararam que o presidente não era um fator determinante para sua escolha.

Os resultados indicam que a avaliação do governo exerce influência sobre parte do eleitorado, mas não determinam antecipadamente o resultado das eleições.

Economia, imigração e guerra contra o Irã estão entre os temas da campanha
O custo de vida ocupa posição central no debate eleitoral americano.

O aumento dos preços, especialmente dos combustíveis, tem provocado insatisfação entre consumidores e se tornou um dos principais temas explorados pelos democratas.

A guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro, também ampliou as discussões sobre os impactos econômicos e políticos da atuação internacional do governo Trump.

Outro ponto importante é a política migratória, marcada por medidas de fiscalização e deportação defendidas pela administração republicana e contestadas por setores da oposição.

Trump, por sua vez, tem participado de eventos de campanha em apoio aos candidatos republicanos, defendendo propostas econômicas, restrições migratórias e a manutenção do controle do Congresso.

Mais de 57 milhões de americanos já votaram antecipadamente
Antes mesmo da abertura das urnas nesta terça-feira, mais de 57 milhões de eleitores já haviam votado antecipadamente, segundo levantamento citado pela imprensa americana.

Nos Estados Unidos, as regras eleitorais variam entre os estados. Parte dos eleitores pode votar presencialmente antes da data oficial, enquanto outros utilizam sistemas de votação pelo correio.

A votação desta terça-feira também ocorre em horários diferentes, devido aos fusos horários do país.

A apuração começará após o fechamento das urnas em cada localidade.

Quando será conhecido o resultado?
Não existe um horário único para a divulgação do resultado nacional.

As primeiras projeções poderão surgir ainda nesta terça-feira, conforme o fechamento das urnas e a contagem dos votos.

Entretanto, disputas equilibradas podem exigir mais tempo de apuração, especialmente em estados com grande volume de votos enviados pelo correio ou sistemas de contagem com regras específicas.

A definição de qual partido controlará a Câmara e o Senado poderá ocorrer ao longo dos próximos dias.

Por isso, resultados parciais não devem ser confundidos com a confirmação definitiva da maioria legislativa.

Como as eleições americanas podem afetar o Brasil?
O resultado das eleições também interessa ao Brasil, devido ao peso dos Estados Unidos na economia e nas relações internacionais.

Uma mudança no equilíbrio de poder em Washington poderá influenciar debates sobre comércio exterior, tarifas, relações diplomáticas, políticas energéticas e atuação americana em conflitos internacionais.

Para Piracicaba e região, que possuem atividades industriais, agrícolas e empresas integradas ao comércio internacional, decisões econômicas dos Estados Unidos são relevantes para acompanhar o ambiente de negócios.

No entanto, não é possível afirmar antecipadamente que a vitória de determinado partido provocará efeitos específicos sobre empregos, exportações ou investimentos em Piracicaba.

Esses impactos dependerão das decisões que forem adotadas após a eleição e das condições econômicas internacionais.

Congresso poderá ter nova composição a partir de janeiro
Os representantes eleitos nesta terça-feira integrarão o novo Congresso americano, que inicia seus trabalhos em janeiro de 2027.

A definição das maiorias legislativas será decisiva para estabelecer o relacionamento entre a Casa Branca e o Parlamento nos dois últimos anos do mandato de Donald Trump.

Até a confirmação dos resultados, permanece em aberto a possibilidade de manutenção do controle republicano ou de avanço dos democratas em uma ou nas duas casas.