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Brasil tem quase 2 milhões de trabalhadores por aplicativos, aponta IBGE

Pesquisa mostra que profissionais de plataformas digitais trabalham mais horas, recebem menos por hora e enfrentam informalidade maior que os demais trabalhadores do setor privado
Por: Redação
4 de setembro de 2026 - 1:55 PM

O Brasil tinha 1,959 milhão de pessoas trabalhando por meio de aplicativos em 2025, o equivalente a 1,9% da população ocupada no país. Os dados fazem parte de uma edição experimental da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento considera pessoas com 14 anos ou mais que utilizaram plataformas digitais para realizar serviços, incluindo transporte de passageiros, entregas e prestação de serviços profissionais. O IBGE classifica esse grupo como trabalhadores “plataformizados”.

Além do tamanho desse contingente, a pesquisa mostra diferenças importantes nas condições de trabalho. Quem atua por aplicativos registra jornadas semanais maiores, rendimento por hora menor e índices mais elevados de informalidade.

Transporte concentra maior número de trabalhadores
Cerca de 1,2 milhão de trabalhadores por plataformas atuavam com transporte de passageiros, o equivalente a 58,9% do total. Desse grupo, aproximadamente 1,1 milhão utilizava aplicativos como Uber e 99, enquanto 232 mil trabalhavam exclusivamente por aplicativos de táxi.

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As entregas também representam parcela significativa desse mercado. Segundo o levantamento, 376 mil pessoas, ou 19,2% dos trabalhadores por aplicativos, realizavam entregas de alimentos, produtos e outros itens por plataformas digitais.

Outros 313 mil trabalhadores, equivalentes a 16% do total, utilizavam aplicativos para prestação de serviços gerais ou profissionais. Essa categoria inclui atividades variadas, como design, tradução e até serviços médicos intermediados por plataformas.

Número de trabalhadores com aplicativos como ocupação principal cresceu
O IBGE alerta que o total de quase 2 milhões registrado em 2025 não pode ser comparado diretamente com os levantamentos anteriores. Isso porque a pesquisa mais recente passou a considerar também quem utiliza aplicativos como fonte complementar de renda.

Para permitir uma comparação, o instituto analisou separadamente quem tinha o trabalho por aplicativos como ocupação principal.

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Nesse recorte, eram 1,3 milhão de trabalhadores em 2022, 1,7 milhão em 2024 e 1,8 milhão em 2025. O crescimento foi de 9,1% entre 2024 e 2025 e de 36,8% em relação a 2022.

Entre 2024 e 2025, o número de entregadores por aplicativos cresceu 18,6%.

Falta de outro emprego aparece entre as principais motivações
Entre motoristas de transporte de passageiros, exceto taxistas, e entregadores que tinham os aplicativos como ocupação principal, o motivo mais citado para ingressar nesse tipo de atividade foi não conseguir encontrar outro trabalho.

Flexibilidade e possibilidade de obter rendimento superior ao oferecido por outras oportunidades também apareceram entre as razões apontadas pelos entrevistados.

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O perfil é predominantemente masculino. Entre aqueles que tinham os aplicativos como ocupação principal, 84,4% eram homens, enquanto 47% tinham entre 25 e 39 anos.

Trabalhadores de aplicativos têm jornada maior
O rendimento médio mensal no trabalho principal ficou praticamente no mesmo nível entre os dois grupos pesquisados. Os trabalhadores por aplicativos receberam, em média, R$ 3.147 por mês, enquanto os demais trabalhadores chegaram a R$ 3.148.

A diferença aparece quando a jornada é considerada.

Os profissionais que trabalhavam por plataformas cumpriam, em média, 44,7 horas semanais, contra 39,3 horas entre os demais trabalhadores. São 5,4 horas a mais por semana.

Com isso, o rendimento médio por hora dos trabalhadores de aplicativos ficou em R$ 16,20, enquanto os demais receberam R$ 18,40. A diferença é de aproximadamente 12%.

Segundo o levantamento, o rendimento informado pelos trabalhadores por aplicativos considera o valor efetivamente retirado da atividade após despesas necessárias para o trabalho, como gastos com combustível.

Informalidade chega a 72,1%
Outro contraste aparece na proteção trabalhista e previdenciária. Entre os trabalhadores por aplicativos, 72,1% estavam na informalidade, contra 42,7% entre os demais profissionais analisados.

A cobertura previdenciária também era menor: apenas 34% dos trabalhadores por plataformas contribuíam para a Previdência, enquanto o percentual chegava a 63% entre os não plataformizados.

A contribuição previdenciária é importante para garantir acesso a direitos como aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte.

Maioria trabalha por conta própria, mas plataformas têm influência
A pesquisa mostra ainda que 86,8% dos trabalhadores por aplicativos se declaravam trabalhadores por conta própria.

Apesar disso, o IBGE identificou um grau significativo de dependência em relação às plataformas. Entre motoristas de aplicativos de transporte, excluindo táxis, 80,2% disseram que o valor recebido por cada serviço dependia totalmente da plataforma.

Entre entregadores, esse percentual era de 78,3%. Além disso, 65,9% afirmaram que o prazo para realização da tarefa era determinado pelos aplicativos, enquanto 71,3% disseram que a forma de recebimento também dependia das plataformas.

Os números ajudam a dimensionar um mercado que reúne motoristas, entregadores e outros profissionais em cidades de diferentes portes, incluindo Piracicaba, e que permanece no centro das discussões sobre renda, autonomia, proteção previdenciária e regulamentação do trabalho por aplicativos no país.