O Brasil voltou a acender o sinal de alerta para o sarampo após o registro de 24 casos confirmados da doença. Segundo dados das autoridades de saúde, 23 ocorrências foram identificadas no Estado de São Paulo e uma no Rio de Janeiro. Parte dos casos foi importada por viajantes, enquanto os demais estão relacionados à transmissão decorrente dessas infecções.
O aumento acompanha um cenário observado em outros países das Américas, especialmente nos Estados Unidos, que enfrentam o maior surto de sarampo das últimas décadas. Apesar do alerta, especialistas destacam que a situação brasileira ainda está sob controle e não coloca, neste momento, em risco o certificado de eliminação da circulação endêmica da doença recuperado pelo país em 2024.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a vigilância epidemiológica tem conseguido identificar rapidamente os casos, rastrear contatos e realizar o bloqueio da transmissão. Ainda assim, o principal desafio é ampliar a cobertura vacinal.
Vacinação é a principal forma de prevenção
O Ministério da Saúde reforçou a campanha nacional de vacinação, voltada principalmente para crianças e adolescentes menores de 15 anos, com mobilização até 1º de setembro e Dia D marcado para 22 de agosto.
Em municípios paulistas como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a estratégia foi ampliada temporariamente. Pessoas entre seis meses e 59 anos estão sendo orientadas a receber a vacina contra o sarampo, independentemente do histórico vacinal, para interromper possíveis cadeias de transmissão.
Nos demais municípios brasileiros, a orientação continua sendo verificar a caderneta de vacinação e completar o esquema previsto no Calendário Nacional de Vacinação.
Quem deve procurar uma unidade de saúde?
Especialistas recomendam que qualquer pessoa que tenha dúvidas sobre sua situação vacinal procure uma unidade de saúde para avaliação.
Quem não possui comprovante de vacinação ou não sabe se recebeu todas as doses deve levar a caderneta, caso a tenha, para que os profissionais avaliem a necessidade de imunização.
Bebês entre seis e 11 meses que vivem em áreas com maior risco também podem receber a chamada “dose zero”, uma aplicação adicional que não substitui as doses previstas aos 12 e 15 meses de idade.
Doença pode causar complicações graves
O sarampo é uma infecção viral extremamente contagiosa, transmitida pelo ar por meio da tosse, espirro, fala ou respiração de pessoas infectadas.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Febre alta;
- Manchas vermelhas pelo corpo;
- Tosse seca;
- Irritação nos olhos;
- Mal-estar intenso.
Além das manifestações típicas, a doença pode provocar complicações como pneumonia, encefalite e redução temporária das defesas do organismo, aumentando a vulnerabilidade a outras infecções.
Cobertura vacinal evita novos surtos
Especialistas alertam que o retorno do sarampo está diretamente relacionado à queda da cobertura vacinal registrada nos últimos anos, agravada durante a pandemia de Covid-19 e pela disseminação de informações falsas sobre vacinas.
O objetivo das autoridades sanitárias é manter pelo menos 95% da população imunizada para impedir que o vírus encontre pessoas suscetíveis e volte a circular de forma sustentada.
Segundo o Ministério da Saúde, mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral foram distribuídas aos estados em 2026.
A recomendação é que toda a população mantenha a vacinação em dia, especialmente diante do aumento das viagens internacionais e da circulação do vírus em outros países.





