O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que propõe mudanças no calendário de vacinação infantil do país. Entre as medidas anunciadas estão a redução do número de vacinas recomendadas para crianças e a aplicação da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, em doses individuais, em vez da formulação combinada.
Durante o anúncio, Trump voltou a questionar a segurança da vacina tríplice viral e sugeriu uma possível relação entre a imunização e o autismo. No entanto, essa associação é rejeitada por estudos científicos e por entidades médicas internacionais.
Especialistas contestam mudanças
Diversas pesquisas realizadas ao longo dos últimos anos, incluindo um amplo estudo conduzido na Dinamarca com mais de 650 mil crianças, não encontraram qualquer evidência de ligação entre a vacina tríplice viral e o autismo.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) também afirmam que não há comprovação científica de benefícios na aplicação separada das vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola.
Segundo especialistas, aumentar o número de aplicações individuais pode elevar o risco de atraso na imunização e reduzir a cobertura vacinal, deixando crianças mais vulneráveis a doenças preveníveis.
Mudanças dependem dos estados
A ordem executiva não altera automaticamente o calendário vacinal dos Estados Unidos, já que as exigências para vacinação escolar são definidas pelos governos estaduais.
O documento recomenda que o número de vacinas infantis seja reduzido de 18 para 11, reorganizando a forma como elas são administradas ao longo da infância.
O secretário de Saúde norte-americano, Robert F. Kennedy Jr., afirmou que a proposta busca ampliar o poder de escolha das famílias, sem impedir o acesso às vacinas.
Entidades médicas demonstram preocupação
A Academia Americana de Pediatria criticou a medida e classificou a decisão como preocupante, especialmente em um momento em que os Estados Unidos registram o maior número de casos de sarampo dos últimos 35 anos.
O presidente da entidade, Andrew Racine, afirmou que não existem novas evidências científicas que justifiquem a alteração no calendário vacinal e alertou para os riscos de atrasar ou deixar de aplicar imunizantes.
Até mesmo integrantes do Partido Republicano manifestaram preocupação. O senador Bill Cassidy, médico e presidente da Comissão de Saúde do Senado, declarou que as vacinas são seguras, eficazes e que não causam autismo, orientando os pais a seguirem as recomendações dos pediatras.
Brasil também monitora casos de sarampo
O debate ocorre em um momento em que o Brasil acompanha o surgimento de novos casos de sarampo importados por viajantes internacionais. A principal vacina utilizada no país para prevenção da doença continua sendo a tríplice viral, recomendada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).





