O governo federal decidiu reduzir a geração de energia em usinas hidrelétricas como medida preventiva diante da possibilidade de intensificação do El Niño nos próximos meses. A decisão foi tomada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que acompanha as condições de abastecimento e a segurança do sistema elétrico brasileiro.
A estratégia prevê a redução da quantidade de água liberada pelos reservatórios das hidrelétricas. Com menos água passando pelas turbinas, a geração de energia também diminui, permitindo preservar os estoques para enfrentar possíveis alterações no regime de chuvas durante os próximos meses.
Segundo informações apresentadas pelo CMSE, há probabilidade de 70% de ocorrência do El Niño com maior intensidade no segundo semestre de 2026. O fenômeno provoca alterações na circulação atmosférica e pode modificar a distribuição das chuvas em diferentes regiões brasileiras.
A preocupação está principalmente relacionada aos impactos que essas mudanças podem provocar nos reservatórios utilizados para geração de energia.
Medida busca preservar água dos reservatórios
A orientação aprovada pelo CMSE prevê a redução das vazões liberadas pelas usinas para preservar especialmente as cabeceiras dos reservatórios e reforçar a segurança hídrica do sistema.
Na prática, a medida permite armazenar uma quantidade maior de água agora para aumentar a capacidade do setor elétrico de enfrentar um eventual período de condições hidrológicas desfavoráveis.
Até o momento, porém, não foram divulgados detalhes sobre a dimensão da redução na geração, quando a medida será efetivamente implementada ou quais hidrelétricas serão atingidas.
A decisão também não representa anúncio de racionamento ou risco imediato de falta de energia. Trata-se de uma ação preventiva adotada diante das projeções climáticas para os próximos meses.
Reservatórios permanecem dentro da normalidade
Apesar das medidas preventivas, os principais reservatórios brasileiros monitorados permanecem em condições consideradas normais.
Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) referentes a julho mostram que reservatórios importantes das bacias dos rios São Francisco, Tocantins e Paranapanema operaram dentro da faixa de normalidade e sem restrições de vazão.
Nenhum dos reservatórios acompanhados pela agência apresentava situação de risco severo de seca.
Em algumas localidades houve redução do volume armazenado em comparação aos meses anteriores, situação considerada esperada durante o período de seca sazonal.
El Niño aumenta atenção sobre geração de energia
O Brasil possui forte participação das hidrelétricas em sua matriz elétrica, fazendo com que as condições dos reservatórios tenham importância estratégica para o abastecimento nacional.
O El Niño ocorre a partir do aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diversas partes do planeta.
No Brasil, os efeitos variam conforme a região e a intensidade do fenômeno. Mudanças no volume e na distribuição das chuvas podem afetar diretamente a recuperação dos reservatórios das hidrelétricas, principalmente durante períodos prolongados de estiagem.
Por esse motivo, a preservação antecipada da água funciona como uma margem adicional de segurança para o sistema elétrico.
Região Norte também terá monitoramento
Além da preservação dos reservatórios, o CMSE discutiu medidas específicas para garantir o abastecimento de combustíveis utilizados na geração de energia em sistemas isolados da região Norte.
Entre as estratégias estão a formação antecipada de estoques, utilização de embarcações de diferentes portes para transporte de combustíveis, operações de transbordo e maior articulação entre empresas e órgãos públicos.
Também está prevista a criação de uma Sala de Monitoramento para acompanhar o abastecimento de combustíveis na região.
O governo deverá manter acompanhamento intensivo das condições hidrometeorológicas que podem afetar o sistema elétrico, além de dar continuidade às ações de recuperação dos reservatórios e articular medidas preventivas com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A evolução do El Niño e seus possíveis impactos sobre os reservatórios deverá continuar sendo acompanhada ao longo do segundo semestre.





