Pesquisadores anunciaram dois novos casos de pessoas consideradas em remissão prolongada do HIV durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro. Os pacientes, identificados pelos nomes Ascent e Kansas City para preservar suas identidades, passaram por transplantes de células tronco hematopoiéticas, procedimento conhecido como transplante de medula óssea, realizado para tratar cânceres do sangue.
Com esses registros, chega a 13 o número de casos documentados mundialmente de pessoas que alcançaram remissão prolongada do HIV após esse tipo de tratamento. Os resultados serão apresentados oficialmente durante o evento, que reúne pesquisadores e especialistas de diversos países para discutir os avanços no combate ao vírus.
Casos representam avanço científico, mas não indicam cura disponível
Os especialistas destacam que os novos casos não significam que exista uma cura acessível para todas as pessoas que vivem com HIV. O transplante de medula é um procedimento complexo, de alto risco e indicado apenas para pacientes que também enfrentam doenças graves, como leucemias e linfomas.
Por esse motivo, a técnica não é considerada um tratamento para a infecção pelo HIV. O principal benefício dessas experiências está na possibilidade de compreender melhor como o organismo pode eliminar ou controlar o vírus, abrindo caminho para o desenvolvimento de novas terapias no futuro.
Pesquisa amplia conhecimento sobre o vírus
Os dois casos também reforçam novas hipóteses sobre os mecanismos envolvidos na remissão da infecção.
Durante muitos anos, pesquisadores acreditavam que a mutação genética conhecida como CCR5-delta32, que dificulta a entrada do HIV nas células, seria praticamente indispensável para alcançar a cura. No entanto, os resultados apresentados indicam que outros processos do sistema imunológico podem desempenhar papel importante na eliminação dos chamados reservatórios virais, onde o vírus permanece escondido no organismo.
A descoberta amplia as possibilidades de pesquisa e pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos menos invasivos e aplicáveis a um número maior de pacientes.
Tratamento continua sendo a principal estratégia
Embora os avanços sejam considerados importantes pela comunidade científica, médicos reforçam que o tratamento com medicamentos antirretrovirais continua sendo a forma mais eficaz de controlar a infecção pelo HIV.
Quando iniciado precocemente e seguido corretamente, o tratamento reduz a carga viral a níveis indetectáveis, permitindo qualidade de vida aos pacientes e impedindo a transmissão sexual do vírus, conceito conhecido pela sigla I = I, que significa “Indetectável = Intransmissível”.
Os pesquisadores ressaltam que os novos casos representam um passo importante para a ciência, mas ainda serão necessários novos estudos para que estratégias semelhantes possam beneficiar um número maior de pessoas.




