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Produção de cacau cresce 63% no Brasil, mas indústria alerta para baixo ritmo de processamento

Recuperação da safra reduz dependência de importações e fortalece a oferta de matéria-prima, mas moagem industrial ainda segue abaixo dos níveis registrados antes da crise do setor.
Por: Redação
14 de julho de 2026 - 12:25 PM

A produção de cacau no Brasil voltou a crescer de forma expressiva em 2026, sinalizando a recuperação do setor após dois anos marcados por escassez de matéria-prima e preços elevados no mercado internacional. Dados da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), com base em levantamento do SindiDados – Campos Consultores, mostram que o recebimento de amêndoas de cacau alcançou 95.108 toneladas no primeiro semestre, alta de 63,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado aproxima o país dos volumes registrados antes da crise de abastecimento enfrentada em 2024 e 2025, impulsionado principalmente pelo desempenho da safra no segundo trimestre.

Indústria cresce em ritmo menor
Apesar da recuperação no campo, o processamento industrial avançou de forma mais modesta.

A moagem de cacau no primeiro semestre totalizou 101.426 toneladas, crescimento de apenas 3,6% em comparação com o mesmo período de 2025. Mesmo com a alta, o volume ainda está cerca de 20% abaixo do registrado no primeiro semestre de 2023, antes da retração do setor.

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Segundo a presidente executiva da AIPC, Anna Paula Losi, o desafio agora é transformar o aumento da produção em maior geração de valor para a cadeia produtiva.

“Produzir mais cacau é apenas o primeiro passo. O fortalecimento da cadeia ocorre quando essa produção é transformada em produtos de maior valor agregado”, afirmou.

Importações caem mais de 57%
Com o aumento da oferta nacional, o Brasil reduziu significativamente a necessidade de importar amêndoas de cacau.

No primeiro semestre, foram importadas 18,1 mil toneladas, queda de 57,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Entre abril e junho, pela primeira vez em quatro anos, o país não precisou recorrer à importação de amêndoas de cacau, reflexo da maior disponibilidade da produção interna e da demanda industrial ainda moderada.

Bahia e Pará lideram produção
A Bahia segue como principal estado produtor, respondendo por 56,8% das amêndoas recebidas pela indústria.

O Pará continua ampliando sua participação e já representa 38,8% da produção nacional destinada ao processamento. Espírito Santo e Rondônia também aparecem entre os estados produtores, embora com participações menores.

Mercado segue atento ao clima
No cenário internacional, os preços do cacau continuam elevados, apesar de terem recuado em relação aos recordes registrados durante a crise de oferta.

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Especialistas acompanham com atenção a possibilidade de formação de um fenômeno El Niño nos próximos meses. Caso o evento climático se confirme, há risco de redução da produção em importantes países produtores, como Costa do Marfim, Indonésia e também em regiões produtoras brasileiras, o que pode voltar a pressionar os preços no mercado mundial.

Reflexos para Piracicaba
Embora Piracicaba não seja uma região produtora de cacau, o desempenho da cadeia impacta diretamente a indústria alimentícia e o setor de alimentos no país. A maior oferta da matéria-prima pode contribuir para reduzir custos de produção de chocolates e derivados, dependendo do comportamento do mercado internacional e das condições climáticas nos próximos meses.