Argentina e Inglaterra voltam a se enfrentar em uma Copa do Mundo nesta quarta-feira (15), pela semifinal do torneio. Mais do que uma disputa por uma vaga na decisão, o confronto carrega uma rivalidade que ultrapassa o futebol e tem origem na Guerra das Malvinas, conflito travado entre os dois países em 1982.
A guerra teve como foco as Ilhas Malvinas, chamadas de Falkland Islands pelos britânicos, arquipélago localizado no sul do Oceano Atlântico. Até hoje, a soberania sobre o território continua sendo motivo de divergência entre Argentina e Reino Unido.
O que foi a Guerra das Malvinas?
O conflito começou em abril de 1982, quando a Argentina, então governada por uma ditadura militar, ocupou as ilhas com o objetivo de recuperar o território, reivindicado pelo país desde o século XIX.
O Reino Unido respondeu com uma operação militar para retomar o arquipélago. Após cerca de dois meses de confrontos, as tropas britânicas venceram a guerra.
Segundo os registros oficiais, morreram:
- 649 soldados argentinos;
- 255 militares britânicos;
- 3 civis moradores das ilhas.
Desde então, o Reino Unido mantém o controle das Malvinas, enquanto a Argentina segue reivindicando a soberania sobre o território.
Disputa continua até hoje
Os argentinos defendem que as ilhas pertencem ao país por estarem localizadas a cerca de 600 quilômetros da costa da Patagônia e por fazerem parte do antigo Vice Reino do Rio da Prata durante o período colonial espanhol.
Já o Reino Unido afirma que sua reivindicação sobre o território é anterior à independência argentina e mantém a administração das ilhas desde 1833.
Em 2013, moradores do arquipélago participaram de um referendo e decidiram permanecer como território ultramarino britânico.
Maradona eternizou a rivalidade
A tensão entre os dois países ganhou um novo capítulo quatro anos após a guerra.
Na Copa do Mundo de 1986, Argentina e Inglaterra se enfrentaram nas quartas de final, em um dos jogos mais famosos da história do futebol.
Na ocasião, Diego Maradona marcou dois gols históricos: o primeiro ficou conhecido como “La Mano de Dios”, após tocar a bola com a mão antes de balançar as redes. O segundo entrou para a história como um dos gols mais bonitos já vistos em Copas do Mundo, após driblar diversos adversários.
A vitória argentina por 2 a 1 passou a simbolizar, para muitos torcedores do país, uma espécie de revanche esportiva pela derrota militar de 1982.
Rivalidade segue viva
Mais de quatro décadas depois da guerra, o tema continua presente na política argentina. Presidentes de diferentes correntes ideológicas, como Cristina Kirchner, Mauricio Macri e o atual presidente Javier Milei, defenderam a reivindicação da soberania sobre as Malvinas.
Agora, com mais um duelo entre Argentina e Inglaterra em uma Copa do Mundo, a rivalidade histórica volta ao centro das atenções, reunindo futebol, memória e um dos conflitos mais marcantes da história recente dos dois países.




