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Nordeste concentra maior risco de terremotos no Brasil; entenda os motivos

Especialistas explicam que características geológicas da região favorecem a ocorrência de tremores, apesar de o Brasil estar localizado no interior da Placa Sul-Americana
Por Redação
3 de julho de 2026 - 9:08 AM

Embora o Brasil seja considerado um dos países menos suscetíveis a grandes terremotos por estar localizado no centro da Placa Sul-Americana, uma região se destaca pelo maior risco de atividade sísmica: o Nordeste.

Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a explicação está na estrutura geológica da chamada Província Borborema, que abrange áreas do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Nessa região, a crosta terrestre é mais fina do que a média mundial, o que facilita o acúmulo e a liberação de tensões geológicas.

Crosta mais fina favorece tremores
Enquanto a espessura média da crosta terrestre no planeta ultrapassa 40 quilômetros, na Província Borborema ela varia entre 30 e 35 quilômetros, podendo ser ainda menor em alguns pontos.

Os pesquisadores acreditam que essa característica seja resultado da separação entre a América do Sul e a África, ocorrida há cerca de 136 a 65 milhões de anos, durante o período Cretáceo. O processo teria “esticado” a crosta terrestre na região, tornando-a mais delgada e vulnerável à reativação de antigas falhas geológicas.

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Falhas antigas continuam ativas
Além da espessura reduzida da crosta, o Nordeste concentra um grande número de falhas geológicas formadas há milhões de anos.

A mais conhecida é a Falha de Samambaia, localizada no Rio Grande do Norte. Foi nessa estrutura que ocorreu um dos maiores terremotos já registrados no Brasil, em novembro de 1986, na cidade de João Câmara.

O abalo atingiu magnitude de 5,1, provocou danos em cerca de 4 mil imóveis e deixou aproximadamente 10 mil pessoas desalojadas.

Segundo os especialistas, essas falhas permanecem inativas durante longos períodos, mas podem ser reativadas pelas tensões naturais existentes no interior da Placa Sul-Americana.

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Brasil continua entre os países mais seguros
Apesar da maior incidência de tremores no Nordeste, os geólogos ressaltam que o Brasil continua distante das áreas de maior atividade sísmica do planeta, localizadas principalmente nos encontros entre placas tectônicas.

Os terremotos mais intensos registrados recentemente, como os ocorridos na Venezuela, têm origem justamente no contato entre placas, situação diferente da realidade brasileira. Aqui, os abalos costumam ser de menor intensidade e relacionados à acomodação de antigas falhas geológicas.

Estudo confirmou características da região
Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Estudos Tectônicos realizaram um amplo levantamento na Província Borborema, utilizando explosões controladas e sismógrafos para analisar a propagação das ondas sísmicas.

O estudo confirmou não apenas a menor espessura da crosta terrestre, mas também a grande diversidade de formações rochosas da região, fator que contribui para o surgimento e a reativação de falhas geológicas.

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Embora o risco seja maior em relação ao restante do território brasileiro, especialistas reforçam que eventos de grande magnitude continuam sendo considerados raros no país.