O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou aos Estados Unidos um conjunto de propostas para tentar evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
O documento, descrito como um “mapa do caminho”, foi entregue durante uma nova rodada de negociações realizada nesta quinta-feira (2), envolvendo representantes dos governos brasileiro e norte-americano.
Pelo lado dos Estados Unidos, participou o representante de Comércio Exterior, Jamieson Greer. A delegação brasileira foi liderada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, com integrantes do Itamaraty e da Presidência da República.
Propostas incluem seis áreas
Segundo informações divulgadas, o governo brasileiro apresentou alternativas relacionadas a temas que vêm sendo questionados pelos Estados Unidos durante a investigação comercial aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Entre os assuntos estão:
- comércio digital;
- tarifas preferenciais;
- combate à corrupção;
- proteção da propriedade intelectual;
- etanol;
- combate ao desmatamento ilegal.
A proposta busca demonstrar que essas políticas não prejudicam a economia norte-americana e sinaliza disposição para ampliar mecanismos de controle e cooperação.
Pix fica fora das negociações
Um dos pontos citados pelos Estados Unidos é o sistema de pagamentos Pix. No entanto, integrantes do governo brasileiro afirmam que o tema é considerado inegociável e, por isso, não integra o documento apresentado.
O Brasil também estuda reduzir tarifas de importação em alguns setores específicos, como máquinas, equipamentos para a área da saúde e tecnologia da informação, como forma de ampliar o diálogo comercial.
Prazo termina em 15 de julho
Apesar da boa recepção inicial ao documento, integrantes do governo brasileiro avaliam que a tarifa poderá ser aplicada.
O governo dos Estados Unidos tem até 15 de julho para decidir se adotará a recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que propõe a cobrança adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Após a reunião, o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o tempo para um acordo é curto e reconheceu que questões políticas têm dificultado as negociações.
“Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra, porque o prazo é 15 de julho. Sempre que avançamos positivamente, surge algum obstáculo que precisamos superar”, declarou.
Nova rodada de negociações
Uma nova reunião técnica entre representantes dos dois países deve ocorrer no início da próxima semana. Além disso, o USTR realizará uma audiência pública em 6 de julho para discutir a proposta de taxação.
A recomendação faz parte de uma investigação comercial na qual os Estados Unidos alegam que algumas políticas brasileiras criariam barreiras ou tratamento desigual para empresas norte-americanas. O governo brasileiro contesta essas alegações e afirma que temas como o Pix não restringem a atuação de empresas estrangeiras no país.





