O agronegócio brasileiro deve enfrentar um dos cenários mais desafiadores dos últimos anos. Com a confirmação da atuação do fenômeno El Niño em 2026, produtores rurais contarão com a menor cobertura do seguro rural dos últimos 20 anos, segundo projeções do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro).
A redução ocorre em razão dos cortes no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), do Ministério da Agricultura e Pecuária. O orçamento destinado ao programa caiu de quase R$ 1 bilhão previstos inicialmente para R$ 474 milhões, após bloqueios realizados para cumprimento das metas fiscais do governo federal.
Com menos recursos disponíveis para subsidiar o pagamento das apólices, a expectativa é de que apenas 2,7 milhões de hectares sejam cobertos pelo seguro rural em 2026, o equivalente a 2,8% da área plantada no país. Em 2025, o índice foi de 3,4%. Desde 2021, quando o programa atingiu seu maior alcance, a área segurada recuou cerca de 77%.
A preocupação aumenta porque as previsões meteorológicas indicam um El Niño de forte intensidade no segundo semestre. O fenômeno costuma provocar alterações no regime de chuvas e temperaturas, aumentando o risco de perdas nas lavouras em diferentes regiões do Brasil.
O seguro rural é considerado um dos principais instrumentos de proteção financeira para o produtor em caso de perdas provocadas por eventos climáticos extremos, como secas, excesso de chuva, geadas e tempestades.
Especialistas alertam que a redução da cobertura deixa o setor mais vulnerável justamente em um período de maior instabilidade climática, elevando os riscos econômicos para produtores e para a cadeia do agronegócio.





