Os estados brasileiros devem encerrar 2026 com um déficit fiscal de aproximadamente R$ 6 bilhões, segundo projeção da XP Investimentos. O resultado representa uma reversão em relação a 2025, quando os governos estaduais registraram superávit de R$ 6,6 bilhões.
O levantamento indica que o aumento dos gastos públicos em ano eleitoral tem pressionado as contas estaduais. Até abril, as despesas totais dos estados cresceram 6,5% acima da inflação, enquanto a arrecadação avançou apenas 3,3% no mesmo período.
Segundo os analistas, o cenário já era esperado devido à maior tendência de expansão dos investimentos e despesas em anos de disputa eleitoral.
Gastos crescem mais que receitas
De acordo com o estudo, diversos estados ampliaram seus gastos em ritmo superior ao crescimento das receitas, utilizando parte da disponibilidade de caixa acumulada em anos anteriores e mecanismos que ampliaram a capacidade de investimento.
Entre os fatores apontados estão a utilização de recursos em caixa, a renegociação de dívidas por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e o parcelamento de precatórios, que reduziu a pressão imediata sobre os orçamentos estaduais.
A expectativa da XP é que os investimentos estaduais cresçam cerca de 40% ao longo deste ano.
Estados em situação mais delicada
O levantamento aponta preocupação com estados que já iniciaram o ano com dificuldades financeiras, como Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Alagoas.
Além disso, alguns estados já apresentam resultados negativos nas contas públicas em 2026, entre eles Tocantins, Goiás, Paraná, Mato Grosso do Sul e o próprio Rio Grande do Norte.
Especialistas avaliam que, em alguns casos, o aumento das despesas pode resultar em maior endividamento ou no acúmulo de compromissos financeiros para os próximos governos.
Cenário varia entre os estados
Apesar da tendência de deterioração fiscal, a situação não é uniforme em todo o país.
Estados como Espírito Santo e São Paulo apresentam indicadores considerados mais sólidos, com maior capacidade de investimento e melhor gestão das finanças públicas. Já Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul continuam enfrentando dificuldades históricas relacionadas ao elevado endividamento.
Economistas destacam que o equilíbrio entre investimentos públicos e responsabilidade fiscal será um dos principais desafios dos governos estaduais nos próximos anos.
Reflexos para a população
Embora os impactos do déficit não sejam imediatos para a população, especialistas alertam que o desequilíbrio das contas públicas pode afetar a capacidade de investimento futuro em áreas como saúde, educação, infraestrutura e segurança.
O acompanhamento das despesas e da arrecadação dos estados será um dos principais indicadores econômicos observados ao longo do segundo semestre de 2026, especialmente em meio ao cenário eleitoral e às discussões sobre responsabilidade fiscal no país.





