Pelo menos 6 milhões de brasileiros convivem com a fibromialgia, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia. A condição, que afeta principalmente mulheres entre 35 e 60 anos, ainda enfrenta preconceito e desconhecimento, mesmo sendo considerada relativamente comum no país.
De acordo com estudo publicado no Brazilian Journal of Pain, para cada homem diagnosticado existem cerca de 5,5 mulheres com a doença.
Sintomas afetam qualidade de vida
A fibromialgia é uma doença crônica caracterizada por dores espalhadas pelo corpo, fadiga persistente, alterações no sono e dificuldade de concentração. Muitos pacientes relatam sensação constante de cansaço, mesmo após longos períodos de descanso.
Sem alterações evidentes em exames laboratoriais ou de imagem, o diagnóstico costuma ser demorado. Em muitos casos, pacientes passam anos buscando explicações para os sintomas até receberem confirmação da doença.
Segundo o reumatologista Marcos Renato de Assis, membro da Comissão de Dor, Fibromialgia e Reumatismo de Partes Moles da Sociedade Brasileira de Reumatologia, a doença compromete significativamente a qualidade de vida, apesar de não causar deformidades físicas ou lesões em órgãos internos.
Dor constante e sono não reparador
Entre os principais sinais da fibromialgia está a chamada dor difusa, que costuma atingir diferentes regiões do corpo simultaneamente. O quadro geralmente afeta os dois lados do corpo, acima e abaixo da cintura.
Outro sintoma frequente é o sono não reparador. Muitos pacientes relatam acordar cansados, como se não tivessem descansado durante a noite.
Para que o diagnóstico seja confirmado, os sintomas precisam permanecer por pelo menos três meses.
Tratamento envolve mudanças na rotina
Apesar de não existir cura, especialistas afirmam que o tratamento pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
A prática regular de atividade física é considerada uma das principais estratégias terapêuticas. Além disso, acompanhamento psicológico, controle do estresse, melhora do sono e mudanças no estilo de vida fazem parte da abordagem médica.
Os medicamentos são utilizados principalmente para auxiliar no controle da dor, ansiedade, depressão e outros sintomas relacionados.
Estresse e fatores emocionais estão associados
As causas exatas da fibromialgia ainda não são totalmente conhecidas. Pesquisadores apontam que fatores físicos, emocionais e biológicos podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
Entre os fatores associados estão traumas emocionais, situações prolongadas de estresse, obesidade, doenças inflamatórias e transtornos psiquiátricos.
Especialistas também estudam como alterações no sistema nervoso podem influenciar o aparecimento e agravamento dos sintomas.
Diagnóstico no SUS ainda é desafio
O acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento ainda representa um desafio no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo especialistas, muitos pacientes convivem com dores por décadas antes de receberem atendimento adequado.
Além disso, o tratamento da fibromialgia exige acompanhamento multidisciplinar, envolvendo médicos, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e educadores físicos.
Para profissionais da área, combater a desinformação e ampliar a escuta humanizada dos pacientes são passos fundamentais para melhorar o atendimento e reduzir o preconceito em torno da doença.





