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Governador de Roraima defende restrições à imigração e propõe ala exclusiva para estrangeiros em presídio com verba federal

Antonio Denarium cobra endurecimento da legislação migratória, cita custos ao estado e afirma que fluxo de venezuelanos caiu quase 50% em janeiro
Por Redação
30 de janeiro de 2026 - 3:11 PM

O governador de Roraima, Antonio Denarium (Progressistas), defendeu a adoção de regras mais rígidas para a entrada de imigrantes no Brasil e afirmou que pretende destinar recursos federais à construção de um pavilhão exclusivo para presos estrangeiros no sistema penitenciário estadual. As declarações foram dadas em entrevista à BBC News Brasil, em meio ao cenário de instabilidade política na Venezuela após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.

Segundo dados oficiais citados pelo governo estadual, o fluxo de venezuelanos que ingressaram no Brasil por Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, caiu cerca de 50% em janeiro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Para Denarium, a redução é momentânea e reflete um “período de observação” da população venezuelana, que pode ser revertido caso o país vizinho enfrente um agravamento do conflito interno.

“Se houver resistência ou guerra civil, o fluxo migratório tende a aumentar novamente, e os países mais impactados serão o Brasil e a Colômbia”, afirmou o governador.

Denarium voltou a criticar a atual política migratória brasileira, alegando que estrangeiros entram no país sem apresentar antecedentes criminais. Para ele, é necessário exigir documentação mais rigorosa e ampliar a fiscalização na fronteira.

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“Hoje, criminosos entram como refugiados. Precisamos de uma lei de imigração mais dura, que valha para qualquer nacionalidade”, disse.

O governador destacou ainda os custos que, segundo ele, recaem sobre o estado. De acordo com Denarium, cerca de 30% das ocorrências nas áreas de saúde e segurança pública em Roraima envolvem venezuelanos. No sistema prisional, o estado abriga aproximadamente 500 estrangeiros, o que gera despesas anuais estimadas entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões.

Como resposta, Denarium afirmou ter solicitado ao governo federal apoio financeiro e estrutural, incluindo a criação de um presídio federal em Roraima, pedido que não foi atendido. Em alternativa, o Executivo federal teria sinalizado a liberação de recursos para a construção de um novo pavilhão dentro da penitenciária estadual, que poderia ser destinado exclusivamente a presos estrangeiros. O Tribunal de Justiça de Roraima, no entanto, informou que não há proposta formalizada nesse sentido.

O governador também mencionou um acordo em negociação com a União para ressarcimento de gastos relacionados à crise migratória, estimado em R$ 115 milhões, com parte significativa dos recursos prevista para segurança pública e o sistema prisional.

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Ao comentar o cenário político, Denarium afirmou que deixará o governo em abril para disputar uma vaga no Senado e evitou declarar apoio a nomes da direita para a Presidência.

“Sou governador de todos e preciso manter diálogo institucional, independentemente de quem esteja no poder”, disse.

Apesar das críticas, Denarium declarou ser contrário a conflitos armados e defendeu que a crise venezuelana seja resolvida por meio da diplomacia.

“Em guerra, não há vencedores. O caminho é político e deve ser conduzido pelo governo federal”, concluiu.