O ano de 2025 foi confirmado como o terceiro mais quente desde o início dos registros climáticos, consolidando um marco preocupante para a ciência do clima. Dados divulgados nesta quarta-feira (14) por cientistas da União Europeia mostram que o planeta enfrentou, entre 2023 e 2025, o primeiro período de três anos consecutivos com a temperatura média global 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
O estudo foi elaborado a partir de informações do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), referência internacional no monitoramento climático. Segundo os pesquisadores, 2024 permanece como o ano mais quente já registrado, enquanto 2025 ficou na terceira posição, apenas 0,01°C mais frio que 2023.
A temperatura média global em 2025 foi de 14,97°C, valor 0,13°C abaixo do recorde histórico, mas ainda suficientemente alto para manter o planeta em estado de alerta.
Limite climático cada vez mais próximo
O aquecimento de 1,5°C é considerado um marco crítico pela comunidade científica. Ultrapassar esse patamar por longos períodos aumenta significativamente o risco de impactos severos e, em alguns casos, irreversíveis, como ondas de calor mais intensas, eventos climáticos extremos, tempestades mais violentas e inundações frequentes.
No Acordo de Paris, firmado em 2015 durante a COP21, os países signatários se comprometeram a adotar medidas para impedir que o aquecimento global ultrapasse esse limite no longo prazo, tomando como base médias climáticas calculadas ao longo de décadas.
Para Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, o fato de os últimos três anos terem superado conjuntamente esse patamar indica que o mundo está perigosamente próximo de romper o limite estabelecido internacionalmente. Segundo ele, reduzir as emissões de gases de efeito estufa continua sendo a principal ferramenta disponível para conter o avanço do aquecimento global.
Buontempo destacou ainda que políticas ambientais eficazes já demonstraram resultados positivos, citando a melhora significativa da qualidade do ar na Europa nas últimas duas décadas.
Desafios políticos e resistência climática
Apesar do consenso científico, o combate às mudanças climáticas enfrenta crescentes obstáculos políticos. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump voltou a questionar a existência do aquecimento global e, recentemente, anunciou a saída do país de diversos organismos da ONU, incluindo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Na Europa, dificuldades políticas também resultaram no enfraquecimento de medidas voltadas à redução das emissões, o que preocupa especialistas.
Ainda assim, cientistas reiteram que há amplo acordo internacional de que as mudanças climáticas são reais, causadas majoritariamente pela ação humana e intensificadas pela queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás, responsáveis pelo aumento da concentração de gases que retêm calor na atmosfera.





