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Inteligência artificial avança nas universidades e muda rotina de alunos e professores

Instituições discutem regras para uso responsável da tecnologia no ensino e na pesquisa; Unicamp terá graduação específica em Inteligência Artificial e Ciência de Dados a partir de 2027
Por: Redação
2 de setembro de 2026 - 11:08 AM

A inteligência artificial está deixando de ser uma ferramenta ocasional para ocupar espaço no cotidiano das universidades brasileiras. Estudantes e professores já recorrem à tecnologia para atividades como pesquisa, revisão e tradução de textos, enquanto instituições de ensino começam a estabelecer regras para evitar que seu uso substitua o aprendizado e o raciocínio crítico.

Um levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), citado pelo R7, ouviu 2.441 pessoas e apontou que 75,05% dos participantes declararam utilizar inteligência artificial em atividades relacionadas à instituição.

Ao mesmo tempo em que a adoção cresce, universidades como UFMG, USP, Unicamp e UnB discutem como incorporar essas ferramentas ao ambiente acadêmico com critérios relacionados à ética, transparência, autoria e responsabilidade.

Estudantes usam IA para pesquisar e revisar textos
Segundo os dados da pesquisa da UFMG divulgados pelo R7, entre os estudantes que utilizam inteligência artificial, 60,1% recorrem à tecnologia para obter dados e informações.

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A correção e revisão de textos aparece com 59%, seguida pela pesquisa de fontes e links, com 54,9%, e pela elaboração de sínteses de textos e documentos, com 51,3%.

Entre os professores que utilizam essas ferramentas, a tradução aparece como principal finalidade, citada por 61,2%. Pesquisa de fontes e links representa 50,5%, correção e revisão de textos, 47,1%, e obtenção de informações, 45,4%.

A economia de tempo aparece como uma das principais razões para a adoção. No levantamento citado pela reportagem, essa motivação foi apontada por 90,8% dos estudantes, 93,2% dos professores e 95,8% dos técnicos que afirmaram utilizar IA.

UFMG criou diretrizes para uso responsável
A UFMG lançou em agosto o documento “Princípios e diretrizes para o uso responsável da Inteligência Artificial na UFMG”, elaborado por uma comissão permanente dedicada ao tema.

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O material reúne orientações para estudantes, professores, técnicos administrativos e demais profissionais da instituição e aborda o uso da tecnologia em ensino, pesquisa, extensão e gestão.

Entre os princípios defendidos pela universidade está a manutenção da responsabilidade humana sobre decisões e resultados produzidos com auxílio da inteligência artificial.

A instituição também chama atenção para questões envolvendo ética, transparência e desenvolvimento de competências para utilização responsável das ferramentas.

Desafio é impedir que tecnologia substitua aprendizado
Uma das principais discussões nas universidades não é simplesmente permitir ou proibir a inteligência artificial, mas definir de que maneira ela pode ser utilizada sem comprometer a formação acadêmica.

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O professor Ricardo Marcacini, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, afirmou ao R7 que o problema aparece quando o estudante passa a utilizar a IA como substituta do próprio raciocínio.

A preocupação envolve situações em que trabalhos, análises ou exercícios são produzidos integralmente pela ferramenta e apresentados sem que o estudante compreenda o processo utilizado para chegar à resposta.

Esse cenário também pressiona universidades e professores a reverem métodos tradicionais de avaliação. Em vez de considerar somente a resposta final, cresce a importância de verificar se o aluno consegue explicar seu raciocínio, justificar decisões e defender a solução apresentada.

Unicamp terá graduação em Inteligência Artificial em 2027
A mudança provocada pela tecnologia também aparece na criação de novos cursos.

A Unicamp aprovou em maio a graduação em Inteligência Artificial e Ciência de Dados, que receberá a primeira turma em 2027.

O curso será oferecido em período integral no campus de Limeira, sob responsabilidade compartilhada da Faculdade de Ciências Aplicadas e da Faculdade de Tecnologia.

Serão 40 vagas considerando todas as formas de ingresso. No Vestibular Unicamp 2027, especificamente, estão disponíveis 30 vagas.

A graduação terá duração mínima de oito semestres e carga horária de 3.240 horas, com formação envolvendo matemática, estatística, computação, ferramentas de inteligência artificial, ciência de dados e áreas de aplicação.

Entre as ênfases previstas estão Cidades Inteligentes e Sustentáveis, Administração Pública e Governo Digital e Saúde e Esporte de Alto Rendimento.

Novo curso aproxima discussão da região de Piracicaba
A implantação da graduação em Limeira coloca a formação específica em inteligência artificial também no contexto regional.

O campus onde o curso será oferecido está localizado em uma cidade vizinha a Piracicaba, ampliando as possibilidades de formação na área para estudantes da região.

Além disso, Piracicaba abriga unidades da USP, como a Esalq e o campus onde funciona a Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Unicamp, inserindo o município em um ambiente regional diretamente ligado à produção científica e ao ensino superior.

Conselho Nacional de Educação discute regras
O debate também chegou ao Conselho Nacional de Educação (CNE).

O órgão já produziu estudos sobre a utilização da inteligência artificial na educação e aponta a necessidade de parâmetros para uma adoção ética, segura e eficaz.

Entre os temas discutidos estão os impactos da IA sobre ensino e aprendizagem, capacitação de professores, privacidade e proteção de dados, vieses algorítmicos, avaliações e limites para utilização das ferramentas no ambiente acadêmico.

A discussão indica que a inteligência artificial tende a permanecer nas universidades, mas sua presença deverá ser acompanhada por novas regras e mudanças nas práticas de ensino.

O desafio passa a ser encontrar um equilíbrio entre aproveitar ferramentas capazes de acelerar pesquisas, organizar informações e auxiliar na produção acadêmica sem permitir que a tecnologia substitua habilidades que fazem parte da formação universitária, como interpretação, argumentação, autoria e pensamento crítico.