A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (2), o uso da semaglutida para a redução do risco de eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
A substância é o princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, que ganharam destaque nos últimos anos pelo efeito na perda de peso. Originalmente desenvolvida para o tratamento do diabetes tipo 2, a semaglutida atua simulando a ação do hormônio GLP-1, responsável por aumentar a saciedade e reduzir o apetite.
Segundo a Anvisa, o Wegovy passa a ser indicado para adultos com doença cardiovascular estabelecida e obesidade ou sobrepeso, com o objetivo de diminuir o risco de complicações cardíacas. A agência informou que os estudos analisados demonstraram redução significativa desses eventos quando o medicamento é associado a dieta hipocalórica e aumento da atividade física.
A indicação do Ozempic também foi ampliada. O remédio agora pode ser utilizado no tratamento de pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal crônica. De acordo com a Anvisa, pesquisas apresentadas pelo fabricante apontaram redução relevante na progressão da insuficiência renal e na ocorrência de mortes por eventos cardiovasculares adversos.
Dados citados pela agência reguladora indicam que cerca de 400 mil brasileiros morrem todos os anos em decorrência de infarto ou AVC, o que reforça a relevância da nova indicação terapêutica.
Estudos recentes reforçam que o benefício cardiovascular da semaglutida não depende exclusivamente da perda de peso. Uma nova análise do estudo SELECT, o maior ensaio clínico já realizado sobre os efeitos cardiovasculares da substância, publicada em 2025 na revista The Lancet, mostrou que o medicamento reduz o risco de problemas cardíacos independentemente da quantidade de peso eliminada.
Pesquisas anteriores já haviam apontado uma redução de até 20% nos eventos cardiovasculares em pacientes com obesidade e doença cardiovascular, mesmo sem diabetes. A novidade é a constatação de que essa proteção não está diretamente relacionada ao percentual de emagrecimento.
Os pesquisadores observaram, porém, que a redução da circunferência abdominal, associada à diminuição da gordura visceral, apresentou relação com melhores desfechos cardiovasculares. O mecanismo exato por trás dessa proteção ainda não é totalmente conhecido, mas especialistas levantam a hipótese de que os efeitos anti-inflamatórios da semaglutida possam contribuir para os resultados.
Além dos benefícios cardíacos e metabólicos, estudos também indicam efeitos positivos da substância sobre a gordura no fígado. Em pesquisas recentes, parte significativa dos pacientes apresentou redução da inflamação hepática após o uso prolongado do medicamento. Nos Estados Unidos, a semaglutida já é aprovada para o tratamento de doença hepática grave; no Brasil, essa indicação ainda aguarda avaliação da Anvisa.
Especialistas reforçam que o uso da semaglutida deve sempre ocorrer com acompanhamento médico, integrado a uma estratégia de tratamento que inclua mudanças no estilo de vida, como alimentação adequada e prática regular de atividade física.





