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Anvisa autoriza início de testes clínicos com polilaminina em pacientes com lesão medular

Estudo em fase inicial vai avaliar a segurança da substância em pessoas com lesões graves na medula espinhal; pesquisa envolve universidades, hospitais e apoio da indústria farmacêutica
Por Redação
6 de janeiro de 2026 - 9:22 AM

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da primeira fase de testes clínicos com a polilaminina, substância que vem sendo estudada como alternativa no tratamento de lesões medulares. A liberação marca um avanço importante na pesquisa científica brasileira voltada à recuperação de danos na medula espinhal.

Nesta etapa inicial, considerada fase 1, o objetivo do estudo é avaliar a segurança da aplicação da substância em humanos. A pesquisa irá envolver cinco pacientes, com idades entre 18 e 72 anos, que apresentem lesões medulares agudas completas entre as vértebras T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica.

A polilaminina será aplicada diretamente na região lesionada da medula, em dose única, durante o procedimento cirúrgico. Os pacientes serão acompanhados de perto por equipes médicas especializadas, que irão monitorar possíveis efeitos adversos e a resposta do organismo ao tratamento.

O estudo conta com o patrocínio de uma empresa farmacêutica nacional e será realizado em parceria com instituições de referência, como hospitais universitários e centros especializados em reabilitação. A fase de recuperação dos pacientes terá apoio de entidades voltadas ao atendimento de pessoas com deficiência física.

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O que é a polilaminina
A polilaminina é uma forma polimerizada da laminina, proteína naturalmente presente no corpo humano e essencial para a organização dos tecidos. No sistema nervoso, a substância atua na sobrevivência das células, no crescimento dos neurônios e na regeneração das conexões nervosas, além de participar do processo de mielinização, fundamental para a transmissão dos impulsos nervosos.

Pesquisas com a polilaminina vêm sendo desenvolvidas há mais de 20 anos em universidades brasileiras. Estudos preliminares e testes-piloto realizados em pequenos grupos de pacientes indicaram que a substância é segura, o que possibilitou o avanço para a etapa atual de testes clínicos regulamentados.

Próximos passos
Por se tratar de um estudo inicial, ainda não é possível afirmar a eficácia da polilaminina no tratamento de lesões medulares. Caso os resultados desta fase confirmem a segurança do uso, novas etapas poderão ser autorizadas, com um número maior de participantes e foco na avaliação dos benefícios funcionais do tratamento.

Especialistas destacam que, embora os resultados gerem expectativa, o processo científico é longo e exige cautela. Ainda assim, a autorização representa um passo significativo para a medicina regenerativa no Brasil e abre caminho para futuras terapias voltadas à recuperação de pacientes com lesões graves na medula espinhal.

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