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Lula classifica operação no Rio como “matança” e defende participação de legistas da PF na investigação

Presidente afirmou que ação policial que deixou 121 mortos foi “desastrosa” e pediu apuração independente das circunstâncias das mortes
Por Redação
5 de novembro de 2025 - 2:22 PM

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (4) que a operação policial realizada no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 121 pessoas, foi uma “matança” e classificou o episódio como “desastroso” do ponto de vista da ação do Estado. Em entrevista concedida a agências internacionais durante viagem a Belém (PA), Lula defendeu que legistas da Polícia Federal participem da investigação sobre o caso.

A operação, considerada a mais letal da história do estado, ocorreu na última terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, com o objetivo de cumprir mandados de prisão contra integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Quatro policiais também morreram nos confrontos.

Segundo Lula, é necessário esclarecer as circunstâncias das mortes e garantir transparência no processo. “A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não uma ordem de matança. E houve matança”, declarou. O presidente disse que o governo trabalha para viabilizar a participação da Polícia Federal na perícia das mortes. “Estamos tentando ver se é possível que os legistas da PF participem da investigação, porque há muitas versões sobre o que ocorreu”, afirmou.

O presidente também destacou que é importante avaliar se a ação foi conduzida conforme os protocolos. “Até agora temos uma versão contada pela polícia e pelo governo do estado, mas há quem questione se tudo aconteceu da forma como foi relatado”, disse.

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Após a operação, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), declarou que a ação foi “um sucesso” e que as únicas vítimas foram os policiais mortos. A fala foi criticada por integrantes do governo federal, que enviou uma comitiva ao estado para acompanhar o caso, composta pelos ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Anielle Franco (Igualdade Racial).

Lula afirmou que, embora o combate ao crime organizado seja prioridade, é preciso preservar vidas e respeitar as normas legais. “Do ponto de vista da quantidade de mortes, podem considerar um sucesso, mas do ponto de vista da ação do Estado, foi desastrosa”, completou.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou no domingo (2) que o governo do Rio preserve todos os materiais da operação, incluindo perícias e cadeias de custódia, para garantir a verificação do Ministério Público e o acesso da Defensoria Pública. A decisão foi tomada no âmbito da ADPF das Favelas, que estabelece diretrizes para operações policiais em comunidades do estado.

Pesquisas recentes apontam que a operação dividiu opiniões no Rio de Janeiro. Segundo levantamento do Instituto Quaest, 64% dos moradores aprovaram a ação policial e 72% concordam com a proposta de enquadrar o crime organizado como terrorismo.

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Em declarações anteriores, o presidente havia defendido o combate ao tráfico de drogas e o fortalecimento da PEC da Segurança Pública e do projeto de lei Antifacção, enviados ao Congresso Nacional. Contudo, evitou críticas diretas à condução da operação até a entrevista desta terça-feira.