O Brasil levará à 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, a defesa do multilateralismo e da reforma da ONU, com atenção especial à composição e ao funcionamento do Conselho de Segurança. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da programação de alto nível e fará o tradicional discurso brasileiro de abertura do Debate Geral na terça-feira, 22 de setembro.
Segundo as informações divulgadas pelo Itamaraty e repercutidas pela Agência Brasil, a expectativa é que Lula também aborde a negociação como instrumento para a solução de conflitos, o respeito ao direito internacional humanitário e a posição brasileira sobre outros temas da agenda internacional. O conteúdo definitivo do pronunciamento será conhecido apenas quando o discurso for realizado.
Multilateralismo deve estar no centro do discurso
A defesa de soluções construídas por meio de organismos internacionais é uma das linhas tradicionais da política externa brasileira. Na Assembleia Geral, o governo deve reforçar essa posição diante de um cenário internacional marcado por conflitos e disputas entre países.
A 81ª sessão terá como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O Debate Geral será realizado entre 22 e 28 de setembro, reunindo representantes dos 193 Estados membros da organização.
O Brasil mantém desde 1955 a tradição de ser o primeiro Estado membro a discursar no Debate Geral. Neste ano, Lula será seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Reforma do Conselho de Segurança é posição histórica do Brasil
Outro ponto previsto para a participação brasileira é a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O país defende há anos mudanças na composição e nos métodos de trabalho do órgão, com maior participação de países e regiões atualmente não representados ou sub representados nas decisões internacionais.
Em declaração conjunta divulgada em julho por Brasil e Coreia do Sul, os dois países defenderam uma reforma abrangente das Nações Unidas e maior participação de regiões como América Latina e Caribe e Ásia Pacífico no Conselho de Segurança. O documento também associou a mudança à busca por maior representatividade, legitimidade e eficácia do órgão.
A posição também apareceu recentemente na declaração do Brics, que defendeu uma reforma da ONU e do Conselho de Segurança com ampliação da representação dos países em desenvolvimento.
Lula terá reuniões em Nova York
A agenda divulgada prevê encontros bilaterais com chefes de Estado e uma reunião de Lula com o secretário geral das Nações Unidas, António Guterres, antes do pronunciamento de terça-feira. A Agência Brasil informou que não havia confirmação de encontro bilateral entre Lula e Donald Trump.
Esta será a 11ª participação de Lula em uma Assembleia Geral da ONU como presidente da República, segundo a Agência Brasil. Nos três mandatos, ele deixou de comparecer ao encontro apenas em 2010.
Delegação brasileira terá outras agendas
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York ao longo da semana e participará de reuniões de grupos como Brics, IBAS, G77, G4 e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, além de encontros relacionados à América Latina e ao Caribe.
A programação brasileira também inclui discussões sobre combate à fome e à pobreza, segurança alimentar, situação da Palestina, solução de dois Estados, desigualdade, consolidação da paz e direito internacional humanitário.





