O Brasil e a Coreia do Sul assinaram nesta segunda-feira (23) um pacote de 10 acordos voltados à cooperação em minerais críticos, comércio e outras áreas estratégicas. O anúncio foi feito pelo presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além dos memorandos, os dois países estabeleceram um plano de ação com duração de quatro anos, que organiza a relação bilateral nos campos político, econômico e de intercâmbio privado. A visita marca a primeira vez que Lula realiza uma viagem de Estado à Coreia do Sul, o que indica maior peso diplomático e econômico na agenda entre as nações.
Minerais críticos e alta tecnologia
Os minerais críticos ganharam destaque nas tratativas. Esses insumos são considerados estratégicos para setores como transição energética, indústria de baterias, semicondutores e inteligência artificial.
Lula afirmou que há espaço para ampliar parcerias em áreas de alta tecnologia. “Há amplo espaço para cooperação em segmentos como semicondutores e inteligência artificial”, declarou. Segundo o presidente, também foram firmados acordos nas áreas de saúde, empreendedorismo, agricultura, ciência e tecnologia e combate ao crime organizado transnacional.
O presidente brasileiro também mencionou o interesse em avançar nas negociações para exportação de carne bovina ao mercado sul-coreano, com a conclusão de procedimentos sanitários.
Relação comercial em expansão
A Coreia do Sul é atualmente o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e ocupa a 13ª posição no ranking global. Em 2025, o comércio bilateral somou US$ 10,8 bilhões, com superávit de US$ 174 milhões para o lado brasileiro.
Desde 2024, o país asiático anunciou cerca de US$ 8,8 bilhões em investimentos no Brasil, concentrados majoritariamente na indústria de transformação.
O governo brasileiro também sinalizou intenção de retomar o diálogo entre a Coreia do Sul e o Mercosul, ampliando as possibilidades de um acordo comercial mais robusto.
Cultura e economia criativa
Além dos temas econômicos, os presidentes destacaram o fortalecimento da troca cultural. O turismo brasileiro na Coreia do Sul cresceu 25% nos últimos anos, segundo o governo sul-coreano.
A expansão global do k-pop, das produções audiovisuais e da indústria de cosméticos impulsionou a presença da cultura coreana no Brasil. O movimento também estimula oportunidades comerciais em setores como audiovisual, moda e produtos de beleza.
A aproximação com países asiáticos integra a estratégia do governo brasileiro de diversificar parceiros comerciais, reduzir dependência de mercados tradicionais e atrair novos investimentos produtivos.





