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PF retoma depoimentos no caso Banco Master e inquérito pode ter desfecho definido no STF

Oitiva de oito investigados nesta semana é considerada decisiva para definir se apuração seguirá no Supremo ou retornará à primeira instância
Por Redação
26 de janeiro de 2026 - 1:40 PM

A Polícia Federal retoma, a partir desta segunda-feira, os depoimentos do inquérito originado pela Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades em operações financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília, o BRB. Ao todo, oito investigados serão ouvidos, quatro nesta segunda e quatro na terça-feira.

A expectativa entre investigadores, advogados e ministros do Supremo Tribunal Federal é de que os depoimentos tenham peso decisivo para a definição dos próximos passos da apuração, que atualmente tramita no STF sob relatoria do ministro Dias Toffoli. A partir das oitivas e da análise do material já reunido, será avaliado se o inquérito permanece na Corte ou se retorna à primeira instância da Justiça Federal, onde teve início.

A possibilidade de devolução do caso ao primeiro grau é vista, nos bastidores, como uma alternativa para reduzir o desconforto interno no Supremo em relação à condução do processo, sem a anulação de medidas já autorizadas. A investigação foi remetida ao STF após a apreensão de um contrato imobiliário envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e um deputado federal, o que atraiu a prerrogativa de foro.

Apesar disso, o foco da apuração segue centrado nas ações do banqueiro Daniel Vorcaro, que chegou a ser preso na primeira fase da operação e mantinha relações com agentes políticos em Brasília. Em crise financeira, o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro do ano passado, enquanto o BRB teve sua diretoria substituída por determinação judicial.

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Quem será ouvido
Nesta segunda-feira prestam depoimento à Polícia Federal Dário Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário ligado à origem das carteiras falsas vendidas ao BRB; e Alberto Felix de Oliveira, superintendente executivo de Tesouraria do Banco Master.

Na terça-feira, serão ouvidos Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, Recursos Humanos e Tecnologia do Banco Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do banco; e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição.

O que está em apuração
A investigação apura suspeitas de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na venda de carteiras de crédito consideradas sem lastro do Banco Master ao BRB, em um negócio estimado em pouco mais de R$ 12 bilhões. Os investigados devem ser questionados sobre provas reunidas nas duas fases da Operação Compliance Zero, deflagradas em novembro de 2025 e janeiro deste ano.

No fim de 2025, Daniel Vorcaro e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, já haviam prestado depoimento, assim como o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, que não é investigado. Vorcaro admitiu dificuldades de liquidez e afirmou que o modelo de negócios do banco dependia do Fundo Garantidor de Créditos. Também declarou ter conversado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a venda do Master, o que foi negado pelo governador, que atribuiu o assunto à gestão do BRB.

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Desconforto no Supremo
O caso tem provocado desconforto no STF desde o ano passado, diante de relatos de possíveis conflitos de interesse envolvendo ministros da Corte. Revelações sobre relações profissionais e pessoais entre investigados e integrantes do Supremo motivaram pedidos de afastamento do relator, que acabaram sendo arquivados pela Procuradoria-Geral da República.

Na semana passada, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota em defesa de Dias Toffoli, afirmando que o tribunal atua na regular supervisão judicial do caso. A manifestação ocorreu após o aumento das críticas à condução do inquérito e à proximidade de alguns envolvidos com figuras centrais da Corte.