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Letalidade no trânsito: Piracicaba tem maior taxa de mortes por habitante em 2025

Cidade registrou 74 óbitos e taxa de 17 mortes a cada 100 mil habitantes; especialistas apontam falhas estruturais e defendem ações integradas
Por: Redação
28 de janeiro de 2026 - 3:05 PM

Piracicaba encerrou 2025 no topo do ranking de letalidade no trânsito do estado de São Paulo, segundo dados do Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito (Infosiga-SP). Ao todo, foram registradas 74 mortes ao longo do ano, o que representa uma taxa de 17 óbitos a cada 100 mil habitantes, a mais alta entre os municípios paulistas.

O índice coloca a cidade à frente de municípios mais populosos, como Campinas, Sorocaba, Guarulhos, Jundiaí e São Bernardo do Campo. De acordo com o levantamento, as faixas etárias mais atingidas foram entre 40 e 44 anos, com oito mortes, e entre 50 e 54 anos, com nove. As motocicletas aparecem como o principal meio de transporte envolvido nos acidentes fatais, concentrando 35 óbitos.

Problema estrutural, não pontual
Para o professor Luciano Aparecido Barbosa, do Departamento de Geotecnia, Geomática e Mobilidade da Unicamp, a recorrência de Piracicaba no topo do ranking indica um problema estrutural. Segundo ele, a redução da letalidade passa por um conjunto de medidas coordenadas, e não por ações isoladas.

Entre as frentes prioritárias, o especialista destaca a gestão baseada em evidências, com uso sistemático dos dados do Infosiga para identificar pontos críticos, usuários mais vulneráveis e horários de maior risco. Também defende a priorização de intervenções viárias nos locais com maior concentração de mortes.

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Engenharia, fiscalização e integração
Barbosa aponta ainda a necessidade de ajustes no desenho urbano e na engenharia de tráfego, como redução de velocidades operacionais, travessias elevadas, ilhas de refúgio, estreitamento visual de pistas e revisão dos limites de velocidade. A criação de infraestrutura específica para motociclistas, ciclistas e pedestres também é considerada essencial.

Outro ponto levantado é a integração entre os órgãos públicos. “A mortalidade no trânsito não é apenas um problema de trânsito, mas também de saúde pública”, afirma o professor, ao defender a atuação conjunta entre prefeitura, Detran, forças de segurança e setor de saúde.

Fiscalização e educação
Sobre a fiscalização, o especialista avalia que, diante do perfil das vítimas em Piracicaba, faz sentido ampliar o rigor no controle de velocidade, alcoolemia, ultrapassagens perigosas e uso de equipamentos de segurança, especialmente entre motociclistas. Ele ressalta que a fiscalização eletrônica precisa estar associada a intervenções viárias para gerar resultados efetivos.

Já as campanhas educativas, embora importantes, não produzem efeitos imediatos quando aplicadas de forma isolada. “Elas funcionam melhor no médio e longo prazo e precisam estar integradas à fiscalização e às mudanças físicas na via”, explica.

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Ações do poder público
A Secretaria Municipal de Segurança Pública, Trânsito e Transportes informou que a frota de veículos em Piracicaba cresceu de 357 mil em 2024 para 366 mil em 2025, fator que impacta diretamente no número de acidentes. A pasta afirmou que intensificou fiscalizações em parceria com a Guarda Civil Municipal, Polícia Militar e Detran, além de manter radares em operação em diversos pontos da cidade.

Entre as ações em andamento, está a Operação Hércules, voltada à fiscalização de veículos e à redução de acidentes, com foco nos motociclistas. O município também instituiu o Comitê de Trauma, que reúne áreas de saúde, segurança e emergência para integrar estratégias de redução de mortes e sequelas graves no trânsito.

Rodovias estaduais
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) informou que realiza melhorias contínuas nas rodovias estaduais que cortam a região, com obras de recuperação de pavimento, reforço da sinalização e ampliação da fiscalização eletrônica. Entre os investimentos previstos estão intervenções na SP-304 e na SP-147, somando mais de R$ 370 milhões, além da ampliação de radares em trechos urbanos e rodoviários de Piracicaba.

Para especialistas, a combinação entre planejamento de longo prazo, fiscalização efetiva, infraestrutura segura e mudança de comportamento dos motoristas é o caminho para reverter os altos índices de letalidade e tornar o trânsito mais seguro na cidade.

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