Piracicaba enfrenta um cenário preocupante no combate à hanseníase. Dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que mais de 95% dos casos registrados no município foram diagnosticados tardiamente, muitos deles já com algum grau de incapacidade física. Apesar de ter cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde, a doença ainda é considerada negligenciada e segue como um problema de saúde pública.
Diagnóstico tardio agrava quadro dos pacientes
Nos últimos cinco anos, Piracicaba confirmou 77 casos de hanseníase. Embora o número absoluto não seja elevado, o perfil dos diagnósticos preocupa as autoridades de saúde.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, cerca de 60% dos pacientes já apresentavam algum grau de incapacidade no momento da confirmação da doença, o que indica falhas na identificação precoce.
Sem tratamento adequado e oportuno, a hanseníase pode provocar incapacidades permanentes e deformidades, principalmente em mãos, pés e olhos, afetando atividades simples do cotidiano.
O que é a hanseníase
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, também conhecida como bacilo de Hansen. Ela afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo provocar manchas, perda de sensibilidade e comprometimento neurológico.
De acordo com a Secretaria de Saúde, mesmo com avanços no tratamento, a hanseníase segue classificada como doença negligenciada no século 21. A Organização Mundial da Saúde considera o Brasil um país prioritário no combate à enfermidade, ocupando o segundo lugar mundial em número de novos casos, atrás apenas da Índia.
Janeiro Roxo intensifica ações de prevenção
Janeiro é marcado pela campanha Janeiro Roxo, dedicada à conscientização e ao enfrentamento da hanseníase. Em Piracicaba, as 75 Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Saúde da Família realizam busca ativa de casos suspeitos e atividades educativas junto à população.
Pessoas que apresentem manchas na pele com perda de sensibilidade, formigamento ou dormência devem procurar a unidade de saúde mais próxima.
O Dia Mundial da Hanseníase será celebrado em 25 de janeiro.
Crescimento nos diagnósticos
Os registros da doença no município apresentaram aumento nos últimos anos. Em 2020, foram confirmados oito casos. Em 2024, esse número subiu para 24, representando crescimento de até 200%. Em 2025, a rede municipal atendeu 12 pacientes com diagnóstico confirmado.
Especialistas alertam que o aumento pode estar relacionado à ampliação da busca ativa e à melhora na notificação, mas reforçam que o diagnóstico tardio segue como o principal desafio.
Sinais e sintomas de alerta
- Entre os principais sinais da hanseníase estão:
- Manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele
- Perda ou alteração da sensibilidade ao toque, calor ou dor
- Dormência ou formigamento em braços e pernas
- Diminuição da força muscular, especialmente em mãos, pés e face
- Áreas da pele com redução de suor e pelos
Os primeiros sintomas podem levar de dois a sete anos para se manifestar, o que reforça a importância da atenção aos sinais iniciais.
Prevenção, diagnóstico e tratamento
- As principais formas de prevenção incluem:
- Vacinação com BCG, conforme o calendário vacinal
- Avaliação e vacinação de contatos próximos
- Diagnóstico precoce e início imediato do tratamento
O diagnóstico é clínico, realizado nas Unidades Básicas de Saúde, com exame dermatoneurológico. Quando necessário, o paciente é encaminhado ao Centro Especializado em Doenças Infectocontagiosas para confirmação.
O tratamento é feito com poliquimioterapia única, disponibilizada gratuitamente pelo SUS. Após o início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida.
Atendimento especializado
Quando indicado, os pacientes recebem acompanhamento multiprofissional, com médico, enfermeiro, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, dentista e assistente social, garantindo cuidado integral e reabilitação.





