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Estudo aponta riscos do uso prolongado de omeprazol e medicamentos semelhantes

Pesquisa brasileira indica alterações na absorção de minerais, com possíveis impactos na saúde óssea e no risco de anemia
Por: Redação
12 de janeiro de 2026 - 3:21 PM

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) acendeu um alerta sobre os efeitos do uso prolongado de medicamentos como o omeprazol, amplamente consumidos no Brasil para o tratamento de refluxo, gastrite e úlceras.

A pesquisa analisou os impactos dos chamados inibidores da bomba de prótons (IBPs), grupo que inclui também o pantoprazol e o esomeprazol, e foi publicada na revista científica ACS Omega. Segundo os cientistas, o uso desses remédios por períodos superiores aos recomendados, geralmente de até 14 dias, pode provocar deficiências nutricionais e comprometer a saúde dos ossos.

Os experimentos foram realizados com camundongos adultos, divididos entre grupos que receberam omeprazol e outros tratados com placebo. Os testes simularam o uso contínuo dos medicamentos por 10, 30 e 60 dias, buscando reproduzir situações comuns entre pacientes humanos que utilizam os fármacos por meses ou até anos.

Alterações no organismo

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Os animais submetidos ao uso prolongado apresentaram mudanças significativas na distribuição de minerais essenciais, como ferro, cálcio, magnésio, zinco, cobre e potássio. De acordo com os resultados, houve aumento do cálcio no sangue e redução dos níveis de ferro, combinação que pode indicar risco futuro de osteoporose e anemia.

O dado mais preocupante foi o aumento expressivo do cálcio circulante, o que pode sugerir retirada do mineral dos ossos. Ainda assim, são necessários estudos mais longos para confirmar esse efeito, explicou o professor Angerson Nogueira do Nascimento, da Unifesp, um dos coordenadores da pesquisa.

Além das alterações sanguíneas, os pesquisadores observaram acúmulo de minerais no estômago e desequilíbrios no baço e no fígado, bem como mudanças em células do sistema imunológico.

Como os medicamentos atuam

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Os IBPs reduzem a produção de ácido clorídrico no estômago ao bloquear a chamada bomba de prótons, mecanismo essencial para aliviar sintomas gástricos. No entanto, a diminuição da acidez também dificulta a absorção de nutrientes que dependem desse ambiente ácido, o que ajuda a explicar os efeitos observados.

Embora os testes tenham sido feitos com omeprazol, a pesquisadora Andréa Santana de Brito, da Unifesp, destacou que medicamentos mais modernos da mesma classe atuam pelo mesmo mecanismo e podem ter efeitos ainda mais duradouros.

Algumas dessas moléculas permanecem ativas por mais tempo no organismo, o que pode intensificar os efeitos colaterais quando usadas de forma contínua, afirmou a pesquisadora.

Uso racional e acompanhamento médico

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Segundo os autores, o objetivo do estudo não é desestimular o uso dos medicamentos, mas reforçar a importância do uso racional e do acompanhamento médico, especialmente em tratamentos prolongados.

Em alguns casos, pode ser necessária até a suplementação de minerais, mas isso deve ser avaliado individualmente, ressaltou Nascimento.

Os pesquisadores também chamam atenção para o risco da automedicação, prática comum no país. Em novembro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a venda de omeprazol de 20 mg sem receita médica, desde que em embalagens limitadas ao tratamento de até 14 dias.

Para Andréa, a facilidade de acesso pode estimular o uso contínuo sem orientação adequada. Já a Anvisa afirma que a medida busca incentivar o uso responsável e reforçar que o medicamento é indicado apenas para sintomas leves e temporários.

Caso os sintomas persistam ou retornem, a orientação é procurar avaliação médica, destacou a agência em nota.

O tema reforça a importância da informação e do cuidado no uso de medicamentos comuns, especialmente aqueles utilizados de forma recorrente pela população.

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