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Dia Mundial da Obesidade: como hábitos podem ativar ou silenciar genes ligados ao ganho de peso

Estudos sobre epigenética mostram que alimentação, estresse, atividade física e sono influenciam a expressão genética e o risco de desenvolver obesidade
Por: Redação
4 de março de 2026 - 10:30 AM

Celebrado em 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade chama atenção para uma condição que já afeta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o crescimento também preocupa: dados da pesquisa Vigitel 2025, divulgada pelo Ministério da Saúde, indicam aumento de 118% no número de adultos obesos entre 2006 e 2024.

Embora fatores genéticos tenham influência no desenvolvimento da obesidade, pesquisas recentes mostram que hábitos e condições ambientais também desempenham papel decisivo. Esse entendimento levou a ciência a ampliar o estudo da epigenética, área que investiga como fatores externos podem modular a expressão dos genes sem alterar o DNA.

Um artigo de revisão publicado no International Journal of Obesity aponta que experiências adversas precoces podem deixar marcas epigenéticas duradouras, aumentando o risco de obesidade ao longo da vida.

Segundo a médica endocrinologista Cecilia Solís Rosas García, membro do Conselho para Assuntos de Nutrição da Herbalife, o estilo de vida funciona como um mecanismo capaz de ativar ou silenciar determinados processos do organismo.

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“Nossos hábitos funcionam como um interruptor químico e influenciam processos ligados ao apetite, gasto energético, inflamação, resistência à insulina e armazenamento de gordura. Dependendo dos estímulos ao longo da vida — como alimentação, nível de atividade física, estresse, sono e exposição a toxinas — certos genes podem ser ativados ou silenciados”, explica.

Influência pode começar antes do nascimento
Os efeitos da epigenética podem surgir ainda durante a gestação. Estudos indicam que o ambiente gestacional, incluindo alimentação da mãe, ganho de peso durante a gravidez e tabagismo, pode influenciar o risco de obesidade nos filhos.

Pesquisas publicadas no Journal of Pediatrics também investigam como experiências adversas na infância podem provocar alterações epigenéticas, como mudanças nos padrões de metilação do DNA, que podem afetar o metabolismo e o risco de obesidade ao longo do desenvolvimento.

Hábitos que podem influenciar a expressão dos genes
Diversos fatores do cotidiano podem interferir na forma como os genes ligados ao metabolismo e ao armazenamento de gordura se manifestam.

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Alimentação
Um estudo publicado na revista Advances in Nutrition aponta que a alimentação pode atuar como um mecanismo capaz de “ligar” ou “desligar” genes por meio de processos epigenéticos.

De acordo com a endocrinologista, dietas ricas em açúcares simples e gorduras saturadas estão associadas a maior inflamação e a alterações metabólicas que favorecem o ganho de peso.

Por outro lado, padrões alimentares com fibras, frutas, vegetais, leguminosas e gorduras insaturadas podem favorecer uma melhor sensibilidade à insulina e maior equilíbrio metabólico.

Estresse
O estresse crônico também pode influenciar a expressão genética. Um estudo publicado no International Journal of Molecular Sciences indica que essa condição pode alterar mecanismos epigenéticos ligados à regulação neuroendócrina e ao humor.

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Essas alterações podem impactar hormônios relacionados ao apetite, ao metabolismo e ao armazenamento de gordura.

Atividade física
A prática regular de exercícios vai além do gasto calórico. Pesquisas apontam que a atividade física também pode promover alterações positivas na metilação do DNA, mecanismo que regula o funcionamento dos genes.

O estudo Physical Activity and DNA Methylation in Humans mostra que o exercício pode modular genes envolvidos na adaptação metabólica e no metabolismo energético.

“Mesmo intervenções de curto prazo já são capazes de influenciar a expressão de genes ligados ao metabolismo energético. Por isso, vale fazer pequenas mudanças desde já, seja incluir mais vegetais na alimentação, adotar sessões de 30 minutos de exercícios diários e priorizar um sono de qualidade”, conclui Cecilia.

O avanço das pesquisas em epigenética reforça que, embora a genética tenha influência, os hábitos diários podem desempenhar papel importante na prevenção da obesidade e de doenças metabólicas associadas.

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