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PF investiga repasse de R$ 1,5 milhão ligado ao Careca do INSS em apuração sobre fraudes

Transferências para empresa de empresária investigada e menção a nome em conversa interceptada ampliam escopo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra aposentados e pensionistas.
Por: Redação
19 de dezembro de 2025 - 9:37 AM

A Polícia Federal apura a transferência de R$ 1,5 milhão associada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, no contexto da Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio envolvendo benefícios previdenciários.

Segundo a PF, os valores foram destinados à empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., de propriedade da empresária Roberta Moreira Luchsinger, também investigada no caso. O montante foi dividido em cinco transferências de R$ 300 mil, realizadas de forma sucessiva, o que, de acordo com os investigadores, afasta a hipótese de um pagamento único parcelado e indica repasses tratados como parcelas.

A investigação ganhou novo elemento após a interceptação de uma conversa registrada em 5 de maio de 2025, na qual Roberta menciona um homem identificado apenas como “Fábio”. No diálogo, ela tenta minimizar o impacto da operação policial e da repercussão na imprensa, citando um episódio anterior envolvendo esse nome como exemplo de desgaste público superado ao longo do tempo.

De acordo com a Polícia Federal, não há confirmação, até o momento, sobre a identidade da pessoa citada, nem qualquer comprovação de vínculo com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República. Os investigadores apuram o contexto da menção, sem apontar relação direta com os fatos sob investigação.

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Os repasses, conforme o relatório policial, teriam partido da empresa Brasília Consultoria Empresarial S A, após solicitação do Careca do INSS, com execução atribuída a Milton Júnior, então diretor financeiro da companhia. Mensagens apreendidas fazem referência direta às parcelas e incluem comprovantes das transferências.

A PF também identificou inconsistências nos contratos apresentados para justificar os pagamentos. Os documentos mencionam projetos em áreas como energia, hidrogênio e equipamentos industriais, enquanto as notas fiscais registram códigos de serviço considerados incompatíveis. Há ainda divergências entre a atividade econômica da empresa pagadora e os serviços descritos, além de intervalos considerados irregulares para prestação continuada.

O relatório aponta a atuação de uma organização criminosa estruturada em diferentes núcleos, incluindo setores administrativo, financeiro, empresarial e político, com participação de servidores públicos. Entre os nomes citados nos autos estão Romeu Carvalho Antunes, Tiago Schettini Batista e o senador Weverton Rocha. Parte dos pedidos de prisão preventiva, monitoramento eletrônico e afastamento cautelar recebeu concordância parcial do Ministério Público Federal.

A reportagem informou que tenta contato com as defesas dos investigados mencionados. O espaço segue aberto para manifestações.

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