A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga pelo menos 20 atestados de óbito relacionados a mortes ocorridas em hospitais do DF após a identificação de homicídios praticados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular em Taguatinga.
A apuração se concentra em três técnicos de enfermagem suspeitos de causar mortes de forma intencional por meio da aplicação de substâncias fora dos protocolos médicos. Até o momento, três óbitos são tratados como homicídios confirmados pela investigação.
Segundo a PCDF, os laudos analisados abrangem um período de aproximadamente um ano e buscam identificar mortes com características semelhantes, como agravamento súbito do quadro clínico logo após a administração de medicamentos.
Entre as vítimas já identificadas estão um servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), de 63 anos, um servidor dos Correios, de 33, e uma professora aposentada, de 75 anos, cuja identidade ainda não foi divulgada.
Os suspeitos são duas técnicas de enfermagem, de 22 e 28 anos, e um técnico de 24 anos. De acordo com a investigação, o profissional mais jovem era responsável por aplicar as medicações nos pacientes. A polícia também apura se houve casos semelhantes em outros hospitais onde os investigados trabalharam.
Prisões e operação policial
Os três técnicos foram presos durante a Operação Anúbis, deflagrada pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa. A ação ocorreu em duas fases, com cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em diversas regiões do DF e do Entorno.
Durante as diligências, a polícia apreendeu materiais e dispositivos eletrônicos que seguem sob análise. Em um dos casos investigados, segundo o delegado responsável, foi identificada a aplicação de um produto químico de limpeza diretamente na veia de um paciente, o que teria provocado parada cardíaca em poucos minutos.
Hospital comunicou autoridades
O caso foi comunicado às autoridades pelo próprio hospital, que afirmou ter instaurado uma investigação interna ao identificar circunstâncias atípicas nos óbitos registrados na UTI. A instituição informou que colaborou com a polícia, desligou os profissionais envolvidos e prestou esclarecimentos às famílias das vítimas.
As investigações seguem em andamento e correm sob segredo de Justiça.





